O governo dos EUA propôs ontem cortar em quase 50% as emissões de metano do país geradas pela produção de petróleo e gás na próxima década. A medida é parte do plano presidente Barack Obama contra a mudança climática, às vésperas da conferência de Paris.
A meta do governo dos EUA é reduzir o metano gerado pela prospecção de petróleo e gás em 40% a 45% até 2025, em relação aos níveis de 2012. A iniciativa não surpreendeu, já que autoridades tinham fixado essa meta num plano preliminar divulgado em janeiro. Apesar disso, ao levar ao cabo a proposta oficial, Obama reforça a regulação do setor energético, o que atraiu aplausos dos ambientalistas e raiva dos defensores do setor.
Para alcançar essa meta, o governo emitiu uma norma que obriga a redução de emissões dos poços novos e modificados de petróleo e gás natural, além de padrões atualizados de prospecção que reduzem os vazamentos dos poços explorados em terras públicas.
A norma exigirá que as produtoras identifiquem e consertem vazamentos nos poços de petróleo e gás, além de captarem o gás que escapa dos poços de xisto que empregam uma técnica de prospecção conhecida como fratura hidráulica, ou “fracking”, em inglês.
Autoridades calculam que a norma custará US$ 320 milhões a US$ 420 milhões ao setor até 2025. Ao mesmo tempo, a redução dos custos com assistência médica e outros benefícios alcançará de US$ 460 milhões a US$ 550 milhões.
O metano, principal componente do gás natural, tende a vazar durante a produção de petróleo e gás. Embora o metano seja responsável por uma minúscula fração das emissões dos gases-estufa nos EUA, é muito mais potente do que o dióxido de carbono no sequestro do calor na atmosfera. Esse fator transforma o metano no principal alvo dos ambientalistas preocupados com o aquecimento global.
A norma para o metano segue-se à histórica regulação do início deste mês que visa reduzir em 32% as emissões de dióxido de carbono das termelétricas a carvão. O plano, a viga mestra da estratégia de Obama de combate à mudança climática, atraiu de imediato processos judiciais, movidos por empresas de energia elétrica e por Estados governados por republicanos.
O presidente também propôs regulações voltadas para a poluição gerada pelos aviões e fixou novos padrões para melhorar a eficiência dos combustíveis e reduzir a poluição por dióxido de carbono produzida pelo tráfego de caminhões e veículos comerciais leves.
No conjunto, Obama fixou uma meta que visa reduzir o total das emissões do país em 26% a 28% ao longo dos próximos dez anos.
O governo afirmou que a norma do metano vale apenas para emissões de poços novos ou modificados de gás natural, o que significa que os poços atualmente em operação não precisam cumpri-la. Ambientalistas dizem que as metas serão difíceis de cumprir sem a inclusão de poços já em operação.
David Doniger, diretor de política climática do grupo ambiental Natural Resources Defense Council, disse que a norma é “um bom começo”. Mas que “a Agência de Proteção Ambiental [EPA, na sigla em inglês] tem de agir no mesmo sentido, fixando padrões de vazamento de metano para as operações de petróleo e gás atualmente em funcionamento no país todo”.
Fonte: Valor Econômico
Foto: phys.org
