O governo da Bahia montou uma força-tarefa com diversos órgãos do Estado para acelerar a análise da água consumida na região de Lagoa Real, onde foi identificado um poço contaminado com urânio.
Foram mobilizados técnicos da Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa), da Vigilância Sanitária da Bahia (Suvisa) e da Companhia de Engenharia Ambiental e Recursos Hídricos da Bahia (Cerb). Os trabalhos, segundo o secretário de Meio Ambiente do governo da Bahia, Eugênio Spengler, estão sob coordenação do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) e devem adentrar pelo fim de semana, até que todos os poços da região tenham amostras de água coletadas. O material será encaminhado para exames cm laboratório de São Paulo.
A mobilização foi organizada pela Casa Civil do governo da Bahia e pelas Secretarias de Infraestrutura Hídrica e de Meio Ambiente após denúncia publicada pelo Estado no sábado. “Temos uma força-tarefa na região e mais um reforço deslocando-se para lá. Faremos um rastreamento amplo, aumentando o raio de análise”, disse Spengler. “Temos de saber a dimensão do problema, se ele está circunscrito ao ponto identificado pela INB (.Indústrias Nucleares do Brasil) ou se é algo que se estende para outras áreas. É uma situação emergencial.”
O secretário disse que o governo pedirá prioridade dc análise laboratorial em São Paulo, para que se tenha uma resposta rápida sobre a qualidade da água. Spengler, que fica em Salvador, afirmou que estará hoje em Caetité, no sudoeste do Estado, para uma reunião com a diretoria da INB, estatal federal responsável pelos laudos técnicos que apontaram a contaminação em Lagoa Real.
O governo da Bahia vai agir fora da área de licenciamento ambiental da INB. “Queremos ampliar o raio de atuação e tirar todas as dúvidas. Faremos uma análise emergencial.”
Abastecimento. Segundo o governo, o abastecimento está garantido e, apesar do bloqueio preventivo dos poços que acontece nesta semana, não haverá falta de água para a população.
A INB alega que a contaminação na Lagoa Real não tem relação com a exploração de urânio feita pela empresa, por estar a cerca de 20 quilômetros da mina e fazer parte de outra bacia hidrográfica. A forte presença do urânio na água seria consequência do volume do minério encontrado na região. A empresa sempre negou haver casos de contaminação na área.
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INB diz que fez alerta à prefeitura “por telefone”
BRASÍLIA
A estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB) declarou que, por telefone, informou a prefeitura de Lagoa Real (BA) que havia encontrado água contaminada com urânio no município. A empresa não informou em que data a ligação ocorreu, mas afirmou que o “resultado preliminar” da perícia foi repassado ao secretário de Infraestrutura, Rosalvo Alves de Oliveira.
A empresa realizou duas inspeções no sítio de Osvaldo An-tonio de Jesus. A primeira verificação foi em outubro de 2014 e a segunda, em março de 2015. Os resultados, no entanto, só foram enviados oficialmente à prefeitura de Lagoa Real no dia 22 de maio, sete meses depois.
Segundo a INB, o telefonema teria ocorrido entre as duas análises de água. A estatal afirmou que, depois da primeira coleta, no fim do período de seca, aguardou o término do período chuvoso para realizara segunda coleta, “como uma maneira de verificar a influência da sazonalidade” nos resultados. “Mesmo antes de fazer a segunda coleta de água para confirmar o resultado, a INB informou pessoalmente o senhor Osvaldo e, por telefone, o secretário de Infraestrutura de Lagoa Real, Rosalvo Alves de Oliveira.”
Após a obtenção do resultado da segunda coleta, “este foi imediatamente informado”, sendo o boletim de análise entregue formalmente em maio. “Na ocasião, por não fazer parte do Programa de Monitoração Ambiental, os resultados da análise não foram comunicados ao Ibama”, declarou. A INB sustenta que as análises foram feitas fora de sua área de atuação, como parte de um programa para “manter um bom relacionamento e proximidade com a população local”. Ela alega que o reservatório não é afetado pela bacia hidrográfica de sua mina, e a fiscalização na comunidade de Varginha refere-se a uma vila do município de Caetité, e não a uma vila homônima de Lagoa Real, onde está o poço contaminado. / a.b.
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“Não conhecia aquele poço. Nem sabia que existia”
• O secretário de infraestrutura de Lagoa Real (BA), Rosalvo Alves de Oliveira, negou que tivesse conhecimento prévio da contaminação do poço na comunidade de Varginha, conforme declarou a Indústrias Nucleares do Brasil (INB).
Oliveira disse ao Estado que havia solicitado à estatal que fizesse inspeção na água de uma comunidade conhecida como “Sarapião”, também em Lagoa Real, mas que não tinha nenhuma relação com a comunidade de Varginha. Afirmou que nunca recebeu informação prévia da INB sobre a água consumida em Sarapião. “Se ela fez essa análise, não mandou para gente”, afirmou.
“Não houve isso. Não conhecia aquele poço de Varginha. Nem sabia que existia”, disse Oliveira. “O que eles tinham me dito antes, por telefone, é que um poço do Sarapião tinha dado um “probleminha”, mas nunca recebi nada de lá.” O secretário declarou que só soube da contaminação em Varginha quando a INB foi até a prefeitura, em maio.
Fonte: O Estado de São Paulo
Foto: www.brumadonoticias.com.br
