Nesta quarta-feira (30/04), o dep. Sarney Filho (PV-MA), líder da Bancada Verde na Câmara dos Deputados e coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista, discursou no plenário da Casa, condenando as manifestações racistas que têm ocorrido nos estádios de futebol. Para o deputado, o conceito racial é inadequado, em termos sociais e científicos, para a diferenciação das pessoas, e só deve ser usado na busca da igualdade e da justiça social. Sarney Filho destacou ainda o caráter positivo da reação do esportista Daniel Alves, vítima de recente agressão racista na Espanha, e das manifestações que se sucederam.
Leia a íntegra do pronunciamento:
” Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados,
Temos assistido a uma assustadora sucessão de manifestações racistas nos estádios de futebol ao redor do mundo. Com a aproximação da Copa do Brasil, o problema, por si só digno de preocupação, torna-se ainda mais premente e alarmante.
O conceito de raça foi um instrumento precioso para o colonialismo e a ideologia racista, que se fundamentavam em uma suposta desigualdade biológica entre os homens. Com ele, buscavam justificar as arbitrariedades, a violência e os privilégios dos dominadores.
No entanto, há muito que esse conceito não se sustenta. As pesquisas genéticas sobre as populações humanas jogaram a pá de cal sobre uma noção que o humanismo já superara: nossa espécie não pode ser dividida em raças. Quando, aqui no Parlamento, evocamos a palavra ‘raça’, deve ser sempre na tentativa de buscar justiça, de corrigir as distorções sociais geradas pela manipulação política e ideológica do termo.
O que nos diferencia, tanto entre grupos, quanto entre indivíduos, não são nossos traços fisiológicos, tampouco algo que esteja escrito em nossos genes: o que nos faz diferentes são nossos valores, nossas convicções, nossas atitudes.
Daniel Alves, lateral do Barcelona e da seleção brasileira, demonstrou que, além de ser brilhante como atleta, destaca-se como ser humano. Com a simplicidade das pessoas brilhantes, mostrou, de forma clara e eloquente, seus valores e seu valor. Ao pegar do chão e comer a banana que lhe fora atirada por torcedor do time adversário, o jogador deu exemplo de altivez e autoconfiança, e encheu o país de orgulho.
A agressão, que pretendia humilhar e, quem sabe, desestabilizar Dani Alves, acabou por torná-lo símbolo do momento por que passa a sociedade. O racismo ainda é muito presente em nosso cotidiano, nos estádios e nas ruas, na Espanha como no Brasil, em todos os continentes, em todas as esferas. Isso, infelizmente, não é novidade. O que é novo, e que havemos de festejar, é que os atos racistas não são mais tolerados. A rejeição ao racismo é ampla e contundente. É uma reação que não se reveste de paternalismo e vitimização, ao contrário, proclama a igualdade com humor, criatividade e muita convicção.
Senhoras e Senhores Deputados, o tema da igualdade racial é prioritário para o PV desde sua fundação. Recentemente, o partido teve a honra de exercer a relatoria do Estatuto da Igualdade Racial, com importante parecer do Deputado Antônio Roberto. Acreditamos na punição rigorosa dos crimes de racismo. Acreditamos nas medidas afirmativas como mecanismos de efetiva realização dos princípios constitucionais de igualdade e justiça social. Acima de tudo, acreditamos em medidas educativas, na educação formal e informal, que ensinem aos brasileiros, desde a mais tenra idade, o mais importante dos ensinamentos: somos todos iguais!
Nas redes sociais surgiu a campanha que afirma sermos todos macacos. Macacos evoluídos, primatas da espécie Homo sapiens sapiens… Negros, brancos, pardos, amarelos, coloridos, mulheres e homens de qualquer credo e religião, qualquer origem e condição, vamos ensinar às nossas crianças, vamos aprender com elas: a raça humana é uma só!
Muito obrigado.”
Fonte: assessoria de comunicação Lid/PV
Foto: www.sarneyfilho.com.br
