ihu_unisinos_brCientistas nos EUA acreditam que identificaram uma maneira de alimentar bilhões de pessoas, ao mesmo tempo em que reduzem as tensões e pressões sobre o meio ambiente

 

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Imagine ser capaz de conter as emissões de gases do efeito estufa, tornar o uso de fertilizantes mais eficiente, manter o desperdício de água ao mínimo e colocar comida na mesa para as dez bilhões de pessoas que lotarão as cidades, vilas e aldeias do planeta até o final do século.

 

Um sonho impossível? Não de acordo com Paul West, codiretor e cientista líder da Iniciativa para Paisagens Globais do Instituto do Meio Ambiente da Universidade de Minnesota.

 

Ele e seus colegas de pesquisa reportam no periódico Science que se governo, indústria, empresas e agricultura começassem a escolher as melhores colheitas para condições locais e então usassem os recursos da forma mais eficiente, o mundo poderia ser alimentado com as terras existentes a um dano mínimo ao meio ambiente global.

 

Novas ideias

 

Isso é pensar grande: a visão global de problemas imediatos e locais. Os pesquisadores selecionaram três áreas chave com maior potencial para reduzir danos ambientais ao mesmo tempo em que se aumenta a oferta de alimentos. Eles pensaram no uso de água, desperdício de alimentos e emissões de gases do efeito estufa e poluentes residuais de áreas agrícolas e refletiram sobre onde as novas ideias poderiam fazer mais diferença de uma forma mais eficiente.

 

Eles se focaram no algodão e nas 16 colheitas alimentares que produzem 86% das calorias do mundo a partir de 58% da área global cultivada. Assim, identificaram uma série que chamaram de “pontos de alavancagem mundial”, e os países em que a aplicação de tal pensamento poderia fazer a maior diferença.

 

O primeiro desafio é produzir mais alimentos nas terras existentes. Eles veem uma “lacuna na produtividade agrícola” – que é a diferença entre o que o solo de fato produz e o que poderia produzir – em muitas partes do mundo.

 

E eles apontam que, nos lugares em que as lacunas são mais amplas, simplesmente diminuir essas lacunas pela metade produziria mais de 350 milhões de toneladas adicionais de grão e supriria as necessidades energéticas de 850 milhões de pessoas – a maioria delas na África, além de algumas na Ásia e no Leste da Europa.

 

Metade desses ganhos poderia ser conseguida em apenas 5% do total de área cultivada dessas colheitas. Coincidentemente, 850 milhões é aproximadamente o número de pessoas que a ONU atualmente estima estarem severamente mal nutridas.

 

Os pesquisadores basearam todos os seus cálculos em condições existentes, reconhecendo que as mudanças climáticas poderiam forçar as pessoas a repensarem essa situação. Mas o estudo identificou formas de cultivar alimentos mais eficientemente ao mesmo tempo em que se limita o impacto no clima.

Florestas desmatadas

 

A agricultura é responsável por algo entre 30% e 35% das emissões de gases do efeito estufa, mas muito disso é porque as florestas tropicais estão sendo derrubadas para terras agrícolas. O metano da pecuária e dos campos de arroz é responsável por grande parte do resto das emissões.

 

Brasil e Indonésia, com as maiores reservas de floresta do planeta, são locais onde um conjunto de ações poderia fazer uma grande diferença. China e Índia, que produzem mais da metade do arroz do mundo, são outros.

 

China, Índia e EUA emitem mais da metade de todos os óxidos de nitrogênio das áreas cultiváveis do mundo, e o trigo, o milho e o arroz são responsáveis por 68% dessas emissões.

 

O arroz e o trigo são as colheitas que criam mais demanda por irrigação, que por sua vez é responsável por 90% do consumo global de água. Mais de 70% da irrigação ocorre na Índia, China, Paquistão e EUA, e apenas se concentrando em um uso mais eficiente, os agricultores poderiam gerar o mesmo rendimento e reduzir a demanda de água em 15%.

 

As colheitas agora cultivadas como alimento animal poderiam fornecer as necessidades de energia de quatro bilhões de pessoas, e a maior parte dessa “lacuna de dieta” está nos EUA, China e Europa Ocidental.

 

Alimentos desperdiçados

 

Além disso, entre 30% e 50% de todos os alimentos são desperdiçados, e os resíduos de comida de origem animal são os piores. Descartar um quilograma de carne sem osso é a mesma coisa que jogar fora 24 quilos de trigo. Somente a redução de resíduos nos EUA, China e Índia poderia fornecer alimentos para mais 400 milhões de pessoas.

 

O relatório não é um plano de ação, mas sim uma identificação de onde uma ação mais firme poderia fazer a maior diferença.

 

“Apontar especificamente o que e onde podemos fazer dá aos financiadores e legisladores a informação que precisam para focarem suas atividades em um bem maior”, disse West.

 

“Ao focar em áreas, colheitas e práticas que podem ter mais ganho, companhias, governos, ONGS e outros podem garantir que seus esforços estão sendo empenhados de uma forma que se cumpra melhor a meta comum e essencialmente importante de alimentar o mundo ao mesmo tempo em que se protege o meio ambiente.”

 

Fonte: Tim Radford  /  Climate News Network

Traduzido por Jéssica Lipinski, Instituto CarbonoBrasil

Foto: www.ihu.unisinos.br