A ministra do Meio Ambiente do governo Dilma Rousseff (PT), Izabella Teixeira, disse nesta terça (22) que o abastecimento de água pelo sistema Cantareira não está garantido até março, como prevê a Sabesp, companhia de água do governo de São Paulo.
Izabella participou de reunião sobre o tema convocada pela ANA (Agência Nacional das Águas) com especialistas de instituições como USP e Unicamp. Não foram convidados representantes da gestão Geraldo Alckmin (PSDB).
Segundo ela, estudos do Ministério da Ciência apontam que “não é possível fazer a afirmação de que vai chover no Cantareira”. “É muito prematuro falar isso”, disse.
A Sabesp conta com chuvas a partir de outubro e com o “volume morto”, reserva de água que fica abaixo do ponto de captação das represas, para alcançar essa meta, mas o governo federal avalia que a previsão é arriscada.
“O ministério nos informou que, embora o Brasil já esteja vivendo os efeitos do El Niño [aquecimento das águas do Pacífico], não há nenhuma garantia de que o fenômeno vai gerar chuvas em São Paulo”, afirmou a ministra.
Na reunião, especialistas defenderam o aumento das tarifas para quem consumir muito –um complemento ao bônus já concedido pelo governo paulista para quem reduzir o consumo.
“É necessário ser reduzido o consumo ou a vazão”, disse Vicente Andreu, diretor-presidente da ANA.
A ANA já havia recomendado a redução de vazão do Cantareira. Segundo Andreu, o assunto continuará em discussão. No caso do aumento da tarifa, porém, ele afirma que não cabe à ANA fazer a recomendação.
Ontem, o nível do sistema Cantareira estava em 16,8%.
MEDIDAS
Procurada, a Sabesp afirmou que, graças a medidas adotadas, “garante o abastecimento até março de 2015”.
Segundo a empresa, as principais medidas foram a transferência de vazões dos sistemas Alto Tietê, Rio Grande e Guarapiranga para atender áreas abastecidas pelo Cantareira, o uso do “volume morto” e a criação, em fevereiro, dos bônus para clientes que reduzirem o consumo.
“Se necessário, outra parte da reserva técnica pode ser acionada. E, se as chuvas voltarem à normalidade, o uso deverá ser suspenso, com retorno ao modelo de captação anterior”, diz a nota.
Fonte: Folha de São Paulo
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