O significativo aumento da obesidade no Brasil levou o deputado Henrique Afonso (PV-AC) a propor à Comissão de Seguridade Social, da Câmara dos Deputados, a realização de audiência pública para discutir o tema.

Estimativas recentes dão conta de que cerca de 65 milhões de brasileiros encontram-se acima do peso, ou com sobrepeso, enquanto que 10 milhões seriam considerados obesos.

“Os dados do Ministério da Saúde mostram uma preocupante evolução no sobrepeso em nossa população: em 2006, 42,7% da população encontrava-se acima do peso e, em 2011, esse percentual já era de 48,5%”, argumenta o deputado.

Entre os homens a incidência de sobrepeso é maior, mas a obesidade atinge percentualmente mais mulheres. A importância desses números é vinculada ao fato de que o excesso de peso está relacionado a várias doenças. A gordura abdominal tem pior prognóstico por estar mais próxima aos órgãos abdominais, tais como fígado, aumentando a resistência à insulina, o que poderá provocar intolerância à glicose (predisposição ao diabetes), aumento de pressão arterial, aumento de conversão de esteróides sexuais, infertilidade na mulher, impotência e infertilidade no homem, e aumento de taxas de colesterol, aterosclerose e outras doenças cardíacas.

Henrique Afonso ainda ressalta em seu requerimento que, em função de uma pressão social para que todos sejam esbeltos e bonitos, o sobrepeso diminui a autoestima da pessoa, sendo importante fator para o estabelecimento de quadros depressivos.

“É importante ressaltar que, há 50 anos, a preocupação maior em termos nutricionais era com a desnutrição. Hoje, a obesidade é uma realidade preocupante e tal fenômeno pode ser imputado a mudanças culturais e sociais importantes ocorridas no País. Se na década de 70 a obesidade era mais observável entre os mais favorecidos, atualmente ela cresce expressivamente entre as camadas mais pobres. O aumento do poder de consumo da Classe C, a urbanização e diminuição do trabalho rural, hábitos alimentares inadequados, a diminuição dos espaços para que crianças brinquem na rua e o sedentarismo dos mais velhos têm sido apontado como causas prováveis desse aumento de em excesso dos brasileiros”, esclarece o parlamentar.

Os dados da Pasta da Saúde dão conta, ainda, que 34,6% dos brasileiros comem em excesso carnes com gordura e mais da metade da população bebe leite integral regularmente – fatores que podem ser apontados como principais responsáveis pelo excesso de peso e obesidade.

Ademais, 29,8% dos brasileiros consumem refrigerantes pelo menos cinco vezes por semana, enquanto que apenas 20,2% ingerem a quantidade recomendada pela Organização Mundial de Saúde de cinco ou mais porções por dia de frutas e hortaliças.

“Diante dessa verdadeira epidemia de excesso de peso, há que se indagar quais as medidas factíveis e as que estão sendo realmente tomadas pelo Poder Público e por organizações da sociedade civil com vistas a melhorar os hábitos e práticas da população”,  conclui.