Especialistas ressaltaram ontem no Congresso que mudanças no padrão de consumo e planos educacionais voltados para a sustentabilidade são aspectos que devem ter mais atenção do governo e da sociedade. Eles participaram de audiência pública, presidida pelo deputado Sarney Filho (PV-MA), na Comissão Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas.

Anúncios publicitários, políticas de energia e consumo foram alvos de críticas dos convidados do debate que marcou a abertura dos trabalhos da comissão neste ano e celebrou o Dia Nacional da Conscientização sobre as Mudanças Climáticas, comemorado em 16 de março.

O secretário-executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, Luiz Pinguelli Rosa, defendeu uma mudança no padrão de consumo que traga equilíbrio entre sustentabilidade e desigualdade social. De acordo com o especialista, no Brasil o consumo de energia é desigual e contribui para a disparidade social. “Nós temos a desigualdade mundial dentro do Brasil. Uma parcela da população tem um consumo muito alto de energia e uma grande maioria da população tem consumo de energia muito baixo. Não é justo que essa parcela de consumo alto fique isenta de qualquer pressão para a redução deste consumo”, explicou Pinguelli.

O coordenador do Programa Educação para Sociedades Sustentáveis, da organização não governamental WWF Brasil, Fábio Cidrin, falou sobre a transformação das reflexões em ações a favor da sustentabilidade. Ele espera que as pessoas tenham mais sensibilidade ao consumir e lidar com as propagandas publicitárias. As pessoas já estão conscientes, mas precisam de mais sensibilidade. Os recursos naturais são finitos. E as pessoas são bombardeadas por propagandas para consumir coisas que não precisamos. Na infância, principalmente, isso traz grandes prejuízos”, disse Cidrin.

Pinguelli também chamou atenção para a baixa qualidade do transporte público, que eleva a emissão de gases poluentes, já que incentiva o uso do transporte individual. “Eu vejo uma tendência inevitável. Infelizmente, o que pode compensar isso é um bom serviço de transporte público, ainda muito precário na maioria de nossas cidades. A ausência do transporte de massa acaba levando ao uso do automóvel”, disse Pinguelli.

Também estiveram presentes à audiência o secretário-executivo da Agência de Notícias dos Direitos das Crianças, Veet Vivarta; e o diretor do Departamento de Educação Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, Nilo Sergio de Melo Diniz.

 

Com informações da Agência Câmara