A Bancada do Partido Verde comemorou a iniciativa do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, de voltar atrás da decisão de demolir o prédio do antigo Museu do Índio, no Maracanã, na zona norte da cidade.

O plano inicial do governador consistia em demolir o prédio para construir uma área de estacionamentos e um centro de compras anexo ao complexo do Maracanã. O espaço seria cedido à iniciativa privada, que administrará o estádio após a Copa do Mundo de 2014. Sérgio Cabral chegou a alegar que a Fifa havia exigido a demolição do espaço para garantir a mobilidade dos torcedores no acesso aos jogos, o que foi negado pela entidade.  

O líder do Partido Verde, deputado Sarney Filho (MA), ao tomar conhecimento do projeto de demolição do prédio, encaminhou imediatamente ofícios à Presidência da Câmara dos Deputados, à presidente Dilma Rousseff e ao governador Sérgio Cabral destacando a importância histórica do prédio e solicitando o seu tombamento.

“O imóvel tem um valor simbólico excepcional para os índios e, por extensão, para toda a sociedade brasileira. Para essas pessoas não é somente o ‘imóvel onde funcionou o Museu do Índio’, mas a antiga casa de marechal Rondon, um marco histórico para os índios brasileiros e para a nossa história. Ele se tornou uma espécie de lugar sagrado para eles. Tanto que, mesmo requerendo reparos nas suas instalações, abriga um pequeno grupo de índios de várias etnias”, argumentou o líder.

Na segunda-feira, 28, Cabral finalmente confirmou que trabalhará para o tombamento e restauro do prédio, construído em 1862. O edifício foi destinado à causa indígena desde 1865, quando foi sede do Serviço de Proteção ao Índio (SPI), órgão que deu origem à Funai. No local também funcionaram escritórios do Marechal Rondon e Darcy Ribeiro, personalidades políticas ligadas à questão indígena. Ribeiro transformou o espaço, em 1953, em museu, que posteriormente, em 1978, foi transferido para um casarão em Botafogo, na zona sul. Desde então o prédio foi abandonado.  
Apesar do valor histórico e cultural para os povos indígenas, o prédio não era tombado pelos órgãos municipal, estadual ou federal de preservação do patrimônio.