incendiosCorpo de Bombeiros registra aumento de 27,8% no número de queimadas em relação ao mesmo período do ano passado. Esta semana, o fogo tomou a Floresta Nacional por oito horas e só foi controlado com o trabalho de 30 militares

Um incêndio que durou oito horas e foi controlado somente na madrugada de ontem destruiu boa parte da Floresta Nacional. O fogo começou no início da tarde de terça feira, às margens da BR-070, e se alastrou até a DF-001, próximo a Brazlândia. A assessoria de Comunicação do Corpo de Bombeiros informou que ainda calcula ao certo o tamanho da área queimada, mas que é “possivelmente o maior incêndio do ano”. Sete viaturas e 30 homens foram necessários para contê-lo.

O período de seca aumenta consideravelmente o risco de queimadas em toda região. Somente ontem, 11 incidentes de pequena proporção foram registrados em Ceilândia, no Noroeste, em Sobradinho e no Lago Norte. No início do período da seca, em 5 de maio, o governo local decretou estado de emergência em todo o DF. O mecanismo permitiu a contratação de profissionais para compor, temporariamente, uma brigada de prevenção e combate a incêndios florestais. O grupo atua em 72 parques e 22 unidades de conservação.

Com a publicação do decreto no Diário Oficial, o GDF foi autorizado a contratar, até novembro, 29 profissionais. Todos foram capacitados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), uma vez que o diploma de brigadista não é suficiente para o exercício dessa função. Em setembro de 2011, um incêndio destruiu 25% do Parque Nacional, que tem 9.346 hectares.

Perigo

As queimadas, combatidas diariamente por equipes do Corpo de Bombeiros Militar, são causadas, na maioria das vezes, por pessoas que iniciam fogueiras irregulares. De acordo com o major Fabiano de Medeiros, chefe das Operações de Combate a Incêndios Florestais, cerca de 70% das ocorrências acontecem por causa da intervenção humana. “As margens das rodovias são os locais de maior incidência, por serem regiões de grande aglomeração humana”, comenta. Este ano, o maior incêndio aconteceu em Brazlândia, em uma área de preservação de 60 hectares, no último dia 4.

A quantidade de incidentes também aumentou em relação a 2013. Em junho do ano passado, foram registradas 291 ocorrências, contra 372 do mesmo período em 2014: um aumento de 27,8%. A partir de julho, os casos só aumentam. No ano passado, foram 841 incêndios, e, em agosto, 1.444.

Em julho, em média, entre 140 e 160 homens ficam a postos para combater as chamas. A partir do próximo mês, a quantidade aumenta para cerca de 200 a 230 militares por dia. O atendimento prioritário do Corpo de Bombeiros é voltado a parques e reservas ecológicas, mas todo foco é tratado como perigoso. “As pessoas têm a cultura de limpeza de terrenos e pastos com fogo. A gente briga para que isso acabe, existem regras para que se faça essa queima com autorização prévia, mas a população ignora Quando se queima sem noção do perigo, perde-se o controle, o fogo pula para áreas de reservas e resulta em grandes incêndios”, lamenta o major.

Em algumas situações, o Instituto Brasília Ambiental (Ibram) entende que a queima do terreno, para limpeza, possa ser realizada. Geralmente, são casos de renovação de pastagem, quando o proprietário não tem condições de utilizar outro meio. Ainda assim, o órgão visita o local e avalia se podem ser utilizados outros métodos.

A principal recomendação do Corpo de Bombeiros em tempos de seca é que as pessoas fiquem sempre alertas para possíveis focos de incêndio. “Muitas vezes, quando vemos o fogo se alastrando, pensamos que alguém deve ter ligado para a emergência e deixamos para lá. Não importa ligar de novo, o essencial é registrar o chamado”, afirma o chefe das Operações de Combate a Incêndios Florestais.

Sem chuvas

A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) é que o período de chuvas só comece em setembro, e ainda assim, vagarosamente. “As primeiras precipitações acontecem no fim desse mês, com pancadas irregulares. O ritmo aumenta em novembro, chove muito de dezembro a fevereiro, e a frequência vai diminuindo até a seca voltar”, explica o meteorologista Hamilton Carvalho. Hoje, a previsão é de que o céu fique claro a parcialmente nublado, com névoa seca. A temperatura mínima é de 11°C e a máxima de 25°C. A umidade relativa do ar vai variar entre 85% e 35%.

372  – Total de incêndios registrados no DF em junho deste ano

Fonte: Correio Brasiliense