Polinizadores estão desaparecendo dos campos no Brasil e também em outros países. Estudos são feitos para verificar se defensivos agrícolas são os responsáveis pela redução das colmeias.
Além das pragas, os defensivos agrícolas podem ser responsáveis pelo extermínio de um importante aliado na produção agrícola: os animais polinizadores. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) ordenou que os fabricantes refaçam estudos para comprovar os efeitos de alguns tipos de Agrotóxicos em abelhas, morcegos, borboletas e outros bichos. A suspeita é que os produtos sejam responsáveis pelo extermínio de colmeias.
O uso dos produtos era autorizado no país. Mas, com o registro de mortes repentinas de abelhas, o governo federal solicitou que fossem refeitos os estudos para comprovar o funcionamento das substâncias. Segundo o coordenador-geral de avaliação e controle de substâncias químicas e produtos perigosos do IBAMA, Márcio Freitas, a reavaliação tem como objetivo identificar possíveis efeitos danosos aos insetos. É preciso identificar o teor de resíduos nas folhas, flores, pólen e o volume absorvido por abelhas e qual o grau de intoxicação.
De acordo com os resultados, os produtos podem ser vetados definitivamente. Os primeiros resultados foram insuficientes. Novas conclusões do processo são esperadas para o ano que vem. Outro problema, segundo Freitas, é que a toxicidade crônica pode resultar em desorientação da abelha. O inseto perde o rumo e não consegue retornar para a colmeia. O fenômeno é conhecido como síndrome do colapso das colônias. O problema também é letal. “Do ponto de vista da colmeia, a desorientação é ainda mais crítica”, afirma Freitas.
PROBLEMA MUNDIAL A reavaliação do uso do Fipronil e do Neonicotinoide (inseticida derivado da nicotina) está em estudo em todo o mundo. A Itália vetou-os por dois anos. A interrogação quanto aos efeitos teve início depois da divulgação dos primeiros dados de morte de abelhas. No intervalo entre abril de 2014 e de 2015, o número de colmeias lá teve redução de 42%. O ano foi o segundo pior em termos de redução. No Brasil, o registro de novos produtos é vetado desde 2012 e a aplicação aérea é proibida na época da Florada. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, 5 mil colmeias de abelhas africanizadas foram exterminadas em São Paulo. “Ainda não temos uma conclusão. Pelos estudos, não foi possível caracterizar o Agrotóxico como único fator crítico”, afirma Márcio Freitas.
Outros fatores podem contribuir para a mortandade, como as Mudanças Climáticas e os efeitos do Desmatamento e da monocultura para o hábitat das abelhas. O coordenador-geral do projeto Bee or Not To Be, iniciativa criada pelo Centro Tecnológico de Apicultura e Meliponicultura do Rio Grande do Norte em defesa das abelhas no Brasil, Daniel Malusá, afirma que estudos internacionais comprovam o nível tóxico do Fipronil para as abelhas. “É um problema muito grave. É preciso rever o uso indiscriminado desses produtos”, afirma.
Fonte: Estado de Minas
Foto: portaldoprofessor.mec.gov.br
