Mais um reservatório importante para o abastecimento do Estado do Rio de Janeiro secou. É o segundo em menos de uma semana.
A represa de Santa Branca zerou seu nível normal no domingo e passou a operar com o volume morto, conforme informação do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Santa Branca, operada pela Light na cidade paulista de mesmo nome, é a menor das quatro barragens de hidrelétricas no rio Paraíba do Sul, única fonte de abastecimento do Estado do Rio.
Desde o dia 21 o reservatório de Paraibuna vem operando com o volume morto – água do fundo da represa, não contabilizada em condições normais.
O fim do volume “normal” de Santa Branca agrava ainda mais a situação hídrica do Sudeste. De acordo com especialistas, o uso do volume morto minimiza o problema imediato de abastecimento, mas torna ainda mais difícil a recuperação dos reservatórios.
As duas represas remanescentes no complexo do Paraíba do Sul, Jaguari e Funil, também estão no fim da reserva normal, com apenas 1,72% e 3,75%, conforme os dados de domingo.
Há ainda mais dois reservatórios no sistema do Rio, mas que, mantido o ritmo atual de esvaziamento, devem chegar ao volume morto em menos de quinze dias. O reservatório de Jaguari estava, no último domingo, com nível em 1,72% e o de Funil, o único dos quatro que fica em território fluminense, em 3,75%.
O maior reservatório do sistema, o Paraibuna, possui 2,095 trilhões de litros de água no volume morto. O governo do Rio estima ter direito a cerca de 400 bilhões de litros desse total, o suficiente para abastecer o Estado por seis meses.
Segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), o volume morto de Santa Branca tem 150 bilhões de litros.
Como no caso do Paraibuna, o reservatório fica em São Paulo e, por isso, seu uso tem de ser compartilhado pelos dois Estados. Ainda não está claro o volume que cabe a cada um.
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), anunciou ontem que abrirá licitação na sexta- feira para a transposição de parte do rio Paraíba do Sul. A obra, parte dos projetos para combater a falta de água em São Paulo, deve durar um ano e meio. A água irá para o sistema Cantareira, o principal do Estado e mais afetado pela estiagem. Incluída no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a obra poderá ser executada pelo Regime Diferenciado de Contratação e ser concluída mais rapidamente, com crédito de bancos oficiais como BNDES ou Caixa Econômica Federal.
Depois de duas semanas de queda, o sistema Cantareira permaneceu estável ontem, operando com 5,1% da capacidade total.
Com o agravamento da crise em São Paulo, Alckmin já discute novo aumento na tarifa de água a partir de abril, quatro meses após o último reajuste. Outra hipótese estudada é o endurecimento da cobrança de sobretaxa para quem gastar mais água. Além disso, o governo paulista considera utilizar a terceira cota do volume morto do Cantareira. Também está sendo preparado o uso de água da poluída represa Billings, na zona sul de São Paulo.
O nível do reservatório Alto Tietê baixou 0,1 ponto e operava ontem com 10,3% da capacidade.
Também houve queda de 0,1 ponto no sistema Alto Cotia (para 28,5%). Com as chuvas do fim de semana, a represa de Guarapiranga ganhou 2,6 pontos e passou a 43,7% do volume normal. Com 27,4%, o reservatório de Rio Claro também teve ganho de 0,1 ponto.
Fonte: Valor Econômico
Foto: g1.globo.com
