O nível do reservatório de Paraibuna, o maior de quatro que abastecem o estado do Rio de Janeiro, atingiu o volume morto nesta quarta-feira (21). De acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a usina hidroelétrica foi desligada após o nível atingir zero. O estado do Rio é abastecido por quatro reservatórios de água: o Paraibuna, Santa Branca, Jaguari e Funil. Todos ficam dentro de hidroelétricas e, além de produzir energia, armazenam para abastecimento água do Rio Paraíba do Sul – que passa pelos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Foto: Antonio Leudo / Prefeitura de Campos

Represas operam com volume de 14,5%, um terço do registrado no mesmo período do ano passado

RIO – Os quatro reservatórios de água que abastecem a região Metropolitana do Rio devem alcançar o volume morto já no final de agosto. A previsão é da bióloga Vera Lúcia Teixeira, vice-presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Médio Paraíba do Sul. Segundo ela, a falta de planejamento público, além da escassez de chuvas dos últimos meses, contribuíram para que o nível do rio atingisse a pior média para esta época do ano. Atualmente, a média do volume útil dos reservatórios Paraibuna, Santa Branca, Jaguari e Funil somam 14,5% – em Julho de 2014, esse percentual era de 35,6%.

– Vamos começar a sentir os efeitos entre o final de Agosto e o início de Setembro. Isso é um fato. Estamos, hoje, com um terço do volume que tínhamos no ano passado, e não fizemos nada nesses 12 meses. Podemos ter uma crise de água pior do que a de 2014 – afirma Vera, ressaltando que a vazão do rio Paraíba do Sul está muito baixa – Está saindo mais água do que entrando. Estamos explorando um recurso sem preservá-lo.

Além da Região Metropolitana, os reservatórios atendem também 19 municípios do Médio Paraíba, abastecendo cerca de 13,5 milhões de pessoas. Apenas o Paraibuna – considerado um dos maiores reservatórios do estado, com capacidade para 5,9 hectômetros cúbicos de água – está operando com 5,82% de seu volume útil. Vera diz que o Paraibuna alcançou o volume morto pela primeira vez em sua história em janeiro deste ano, quando passou quase 20 dias com 0% de capacidade útil.

– No ano passado, quando o período de chuvas se iniciou, no final de Setembro, as represas ainda apresentavam uma certa quantidade de água. Neste ano, a chuva cairá com os reservatórios já vazios – lamenta.

Para a bióloga, apenas um processo de comunicação de massa eficiente poderá reverter a situação.

– É preciso pedir economia e mostrar à população que a água está em todos os processos da vida. Sem água, os alimentos serão mais caros, as roupas serão mais caras. A energia, por exemplo, já está com o valor elevado – comenta ela, criticando a falta de planejamento público – Chuva é um processo. Enquanto houver desmatamento, a seca se prolongará. A gente nunca acha que a situação será drástica, até ela se impor. Não podemos ser inconsequentes.

Fonte: O Globo

Foto: Antonio Leudo/ Prefeitura de Campos / Fotos Públicas