SÃO PAULO – Uso racional de água é medida urgente para garantir abastecimento
A estiagem em São Paulo ameaça o abastecimento de água na maior metrópole do país e desperta questionamentos sobre o uso racional da água e a necessidade de avanços na política brasileira de Recursos Hídricos. Em todo o país – além do desperdício – o inchaço populacional nas grandes cidades, deficiências na infraestrutura e Mudanças Climáticas afetam a chegada da água nas torneiras. “O Brasil convive com um grave desequilíbrio, que torna a racionalização dos recursos uma necessidade urgente”, afirma o especialista sênior em água e saneamento do Banco Mundial, Marcos Thadeu Abicalil.
“O país tem muita água onde há pouca gente e muita gente onde há pouca água”, explica Abicalil. Segundo ele, na região da bacia Amazônica – que conta com 80% da vazão superficial disponível – vivem menos do que 10% da população. Já na bacia do Paraná, responsável por 16% da vazão, estão concentrados 60% dos brasileiros. A consequência deste desequilíbrio é o aumento explosivo do consumo de água nos grandes centros populacionais. Em um ritmo muito superior ao das obras de melhoria de infraestrutura e reforço da segurança hídrica.
O especialista do Banco Mundial defende a ampliação de obras para melhorar a segurança hídrica dos grandes centros brasileiros. Ele cita a construção de canais, barragens, interligação de bacias e modernização de adutoras e canalizações como formas de garantir o abastecimento a longo prazo. “Estas obras devem ser planejadas no espectro de uma política abrangente de Recursos Hídricos, que contemple os interesses de Estados, municípios e todos os setores econômicos que fazem uso da água.”
Segundo Abicalil, o regime legal que normatiza o setor desde 1997 tem possibilitado avanços importantes e contínuos em termos de gestão. O problema, diz ele, é que a velocidade para a tomada de decisões ainda deixa a desejar. “A lei é avançada e prevê ampla participação da sociedade. O desafio é conciliar os interesses de todos os setores que se sentam à mesa de negociação. Isso explica o lento avanço da gestão.”
Em 2011, a Agência Nacional de Águas (ANA) publicou amplo estudo que mapeou a situação do abastecimento urbano no país. Chamado de “Atlas Brasil de Abastecimento Urbano de Água”, o documento fez uma projeção de como estará a situação hídrica do país na próxima década e sugere investimentos para reduzir as ameaças.
De acordo com o levantamento, mais da metade das cidades pode ter problemas de abastecimento de água até o ano que vem. Pior do que isso. No mesmo período, 55% dos 5.565 municípios brasileiros estão sujeitos à falta de água. Estas localidades representam 73% da demanda do país. “Infelizmente, o brasileiro foi educado com o conceito equivocado da riqueza dos Recursos Hídricos e com a noção errada de que nunca iria haver falta de água”, avalia Abicalil.
Para o coordenador do programa Água para a Vida, desenvolvido pela ONG WWF-Brasil, Glauco Kimura de Freitas, um dos dados presentes no estudo que mais preocupa é o aumento da pressão populacional sobre os Recursos Hídricos pelas próximas décadas. “Pelas projeções, o Brasil terá um aumento de 45 milhões de habitantes até 2025. Isso significa que será preciso não só aumentar a capacidade de produção de água para consumo, como tornar todo o sistema mais eficiente, reduzindo os desperdício.”
Segundo Freitas, o estudo produzido pela ANA aponta a necessidade de investimentos da ordem de R$ 22 bilhões até 2025 para ampliar e adequar os sistemas produtores. Este valor representa 0,3% do PIB nacional.”É uma cifra muitopequena em relação às melhorias e ao desenvolvimento que o uso racional dos Recursos Hídricos podem trazer à sociedade e à economia brasileira”, diz o especialista da do WWF-Brasil.
Fonte: DCI/SP
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