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Após dois dias de intensos debates, a primeira etapa preparatória para o 8º Fórum Mundial da Água terminou com a orientação de que é preciso aumentar o envolvimento da população no tema e colocar o assunto na agenda central de países, como base para solucionar problemas com saneamento e energia, por exemplo. A necessidade de promover um maior engajamento entre entidades, políticos e as demandas da população no que diz respeito aos problemas relacionados à água foi uma fala recorrente entre especialistas no encerramento da fase de discussões, ontem, em Brasília. A capital federal sediará o fórum, que ocorrerá em março de 2018, pela primeira vez em um país do hemisfério sul.

“Nossa integração com o processo político pede o estímulo à participação de entidades que trabalham com gestão de água. Como aprimoramento de governança, de modo que o cidadão possa ter as suas opiniões coletadas”, afirmou o integrante do Fórum Dinamarquês da Água, Torkil Jonch Clausen. Esta foi uma das conclusões a que chegou uma das seis comissões que debateram temas centrais e transversais relacionadas ao uso da água. Cerca de 700 pessoas de 57 países acompanharam a fase chamada “kick-off meeting” e participaram de grupos de trabalho para começar a definir o roteiro do evento, para o qual são esperadas 50 mil pessoas.

A fala do europeu reforça a avaliação do presidente da Agência Reguladora de Águas e Saneamento do Distrito Federal (Adasa), Paulo Salles. “Temos que debater uma maior participação da população, uma revisão das nossas práticas, do que fazem os órgãos públicos, as empresas, a sociedade civil, para que a gente adote atitudes que levem à sustentabilidade”, disse Salles. Segundo o presidente da Adasa, dois temas chamaram mais a atenção de modo geral durante o evento: mudanças climáticas e sustentabilidade. “Primeiro, porque as pessoas estão sentindo as variações climáticas na própria pele e estão vendo os efeitos disso. Hoje, as pessoas já associam essas variações com falta d”água e inundações. E isso já é uma coisa auspiciosa, eu diria”, avaliou Salles.

O diretor da Agência Nacional de Águas (ANA), Ney Maranhão, aponta que um dos problemas do Brasil na área é ter baixa reservação hídrica. Segundo ele, os reservatórios não acompanharam o crescimento da população, que pode sofrer com secas inesperadas, como a que acometeu o estado de São Paulo no ano passado. “O Brasil passa de uma situação tida de grande conforto hídrico para uma situação de maturidade, em que ele vai precisar administrar bem os recursos hídricos de cada bacia, à luz do binômio quantidade e qualidade, e à luz dos usos múltiplos. Vamos ter de ser muito melhores na gestão dos reservatórios. O país cresce como um doido, então tem que existir uma gestão adequada para lidar com isso”, afirma.

Segundo Maranhão, uma das grandes dificuldades para o país está em articular reservatórios em rios povoados e que precisam abastecer cidades. Para isso, o diretor defende que se intensifique o debate sobre soluções sustentáveis, como uso de energia eólica, e alternativas de reúso de água, como dessalinização de água do mar. “Nós precisamos efetivamente colocar a água na agenda política das nações, como elemento central inclusive para discussão de outros temas, energia, abastecimento, saneamento”, defendeu o secretário executivo do 8º Fórum Mundial da Água Rodrigo Barbosa.

Soluções

A subsecretária de Planejamento Ambiental e Monitoramento da Secretaria de Meio Ambiente do Distrito Federal, Maria Silva Rossi, diz que, entre as medidas que foram debatidas para aumentar a participação popular, está a promoção do tema na mídia e colocar o assunto nas salas de aula. “Acho que uma das questões mais importantes que estamos debatendo é como tornar o fórum inclusivo. Isso nos vários aspectos. Tem de ter recurso para trazer gente que não tem dinheiro de população e comunidades representativas que sofrem questões de água desde coisas bem operacionais”, avaliou.

“Temos que debater uma maior participação da população, uma revisão das nossas práticas, do que fazem os órgãos públicos, as empresas, a sociedade civil, para que a gente adote atitudes que levem a sustentabilidade”  Paulo Salles, presidente da Agência Reguladora de Águas e Saneamento do Distrito Federal (Adasa)

Fonte: Correio Braziliense

Foto:  Agência Brasília