caiaqueA ONU alertou que as negociações para conseguir um acordo global contra a mudança climática até o fim deste ano avançam de forma lenta e reivindicou aos líderes internacionais que se envolvam pessoalmente para acelerá-las.

“O progresso nas negociações é lento demais. Vai a um ritmo de caracol”, advertiu o secretário-geral da organização, Ban Ki-moon, na abertura de um encontro de alto nível sobre clima, realizado nesta segunda-feira (29), a cinco meses da reunião de Paris, a COP 21.

Ban chamou os chefes de Estado e do governo de todo o mundo a dar de forma urgente uma clara “direção política” a seus negociadores para permitir que o processo se acelere e que o acordo seja possível. “Se fracassarmos, estaremos condenando nossos filhos e netos a um caos climático”, avisou o diplomata coreano.

Apesar da lentidão das negociações, Ban mostrou um pouco de otimismo e listou uma série de avanços que deveriam ajudar no possível êxito da Conferência das Partes do Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática de dezembro.

Apoio das potências – Entre eles, Ban destacou a aposta das três maiores economias do mundo, Estados Unidos, União Europeia e China, por um desenvolvimento baixo em emissões, o aumento do uso das energias limpas e as demandas dos cidadãos e de líderes como o papa Francisco.

“Em muitos sentidos, as estrelas estão alinhadas como nunca antes”, assegurou o chefe das Nações Unidas, que lembrou que um acordo em Paris não será final, mas pode ser um “ponto de inflexão”.

“Peço que acelerem o ritmo e elevem a ambição conforme vai se aproximando a conferência de dezembro”, disse Ban aos representes nacionais presentes na reunião, entre eles um bom número de ministros.

Na mesma linha, o presidente da Assembleia Geral da ONU, Sam Kutesa, ressaltou que neste ano o mundo tem “uma oportunidade única para atuar de forma coletiva e responder ao problema mais urgente de nosso tempo”.

“Juntos, não devemos poupar nenhum esforço para conseguir um acordo vinculativo equilibrado e universal em dezembro que promova o desenvolvimento sustentável e preserve nosso planeta”, disse Kutesa.

Derrota nos EUA – Apesar de ter apresentado um plano de metas para cortar as emissões de gases-estufa nos Estados Unidos, o governo de Barack Obama sofreu uma derrota na Suprema Corte.

Por cinco votos a favor e quatro contra, os juízes invalidaram a legislação de emissões da Agência de Proteção Ambiental (EPA), que limitava as emissões de usinas termoelétricas, movidas a carvão, por considerar que a norma não levava em conta o custo que isso representaria para as empresas.

A nova legislação, aprovada em 2011 e em vigor desde abril, limitava pela primeira vez as emissões de mercúrio, arsênico e gases ácidos das usinas térmicas que utilizam o carvão. A indústria energética americana criticava a regulamentação por ser uma das mais onerosas já impostas ao setor.

Desde que entraram em vigor as novas normas, a maioria das termelétricas fecharam ou adaptaram suas instalações para ficar em dia com os requerimentos.

A agência ambiental estimava que a regulação custaria US$ 9,6 bilhões e criaria entre US$ 37 bilhões e US$ 90 bilhões em benefícios no longo prazo, além de prevenir 11 mil mortes prematuras e 130 mil casos anuais de asma.

Fonte: G1

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