Children play on the litter-strewn beach off JacmelMaiores produtores de oxigênio do planeta, os oceanos estão se transformando em um grande lixão. Todos os anos, quase 13 milhões de toneladas métricas de plástico são despejadas no mar por 192 países costeiros. São garrafas, sacolas, fraldas, brinquedos e embalagens, entre outros descartes, que enfeiam a paisagem, sufocam e matam a enorme biodiversidade marinha. Quanto maior a produção de plástico, mais desse material é lançado nas águas. Segundo um levantamento publicado na edição de hoje da revista Science, nada menos que 270 milhões de toneladas métricas de plástico foram geradas pela indústria em 2010 – número que deve aumentar consideravelmente até 2025, quando a população mundial ultrapassará os 8 bilhões.
Os autores do estudo explicaram que foram feitas muitas estimativas sobre resíduos sólidos nos oceanos, mas esta é a primeira vez que se aplica um modelo preciso, que levou em consideração variáveis fornecidas pelo Banco Mundial e pelos governos dos países analisados. Para avaliar a quantidade de lixo plástico lançada ao mar, os pesquisadores contaram a população total, vivendo no raio de 50km da costa, além da produção industrial de plástico e os resíduos plásticos em 2010.

Também foi feito um ranking dos 20 países que mais acomodam incorretamente os descartes desse material. O Brasil figura em 16º. Em primeiro, vem a China que, com uma população costeira de 263 milhões, registrou, em 2010, uma produção de 1kg de lixo plástico por pessoa diariamente. No ano avaliado, 27,7% dos resíduos do material foram armazenados de forma inadequada; e entre 1,32 e 3,53 milhões de toneladas métricas pararam no oceano.

No Brasil, a geração de lixo plástico por pessoa ao dia foi de 1,03kg, sendo que se descartou incorretamente 1,5% do resíduo; e de 0,07 a 0,1 milhão de toneladas métricas acabou no Atlântico. Mesmo tendo a maior produção de lixo plástico por pessoa – 2,58kg por dia -, os Estados Unidos estão em último lugar da lista porque apenas 0,9% do resíduo recebe descarte inadequado e, consequentemente, a quantidade de plástico que vai para o oceano é menor: de 0,04 a 0,11 milhão de toneladas métricas por ano.

Fora os submersos

Em todo o mundo, são 8 milhões de toneladas métricas inundando e imundando os mares anualmente. “Essa quantidade é o equivalente a encontrar cinco sacolas de compra cheias de plástico a cada passo que você der no litoral dos 192 países que avaliamos”, exemplifica Jenne Jambeck, pesquisadora da Universidade da Geórgia e principal autora do estudo. Ou uma área equivalente a 34 vezes o tamanho de Manhattan com sacos de lixo. “E isso é apenas uma pequena parte do problema. Das até 12,7 milhões de toneladas métricas que caem no oceano, só detectamos de 6.350 a 245.000 toneladas métricas flutuando na superfície. Isso quer dizer que há uma quantidade enorme de plástico repousando no fundo do mar, nas praias de 192 países”, observa.

Para ela, está na hora de os países incluírem ações de mitigação do lixo oceânico na lista de prioridades. “Como a água doce é essencial para a saúde, o tratamento da água do mar vem em último lugar – quando vem. Quase ninguém tem políticas públicas nesse sentido. Os resíduos sólidos não parecem incomodar. As pessoas pegam um monte de lixo e simplesmente deixam no canto de seu terreno. A ideia de fazermos esse levantamento foi justamente mostrar a todos o tamanho do problema e fornecer subsídios para os países desenvolverem suas ações”, observa Kara Lavander Law, professora da Associação de Educação Marinha de Massachusetts (EUA) e também autora do estudo.

De acordo com o artigo, a poluição de plásticos no oceano foi citada pela primeira vez na literatura científica no início da década de 1970. “Essa questão é um problema relativamente novo e, para piorar, a própria questão do manejo do lixo é algo extremamente recente”, observa Jambeck. Enquanto o material começou a ser consumido industrialmente entre 1930 e 1940, as soluções para dejetos sólidos só entrou para a agenda de infraestrutura de países desenvolvidos das Américas, da Europa e da Ásia em meados dos anos de 1970. Antes disso, os despejos urbanos eram simplesmente amontoados em lixões sem qualquer tipo de tratamento nem destinação, como reciclagem.

Ainda em discussão

De acordo com a Gerência Costeira do Ministério do Meio Ambiente, o “lixo marinho é um crescente problema no país, que vem sendo pesquisado e discutido em algumas esferas (.), mas o país ainda não possui políticas públicas no âmbito federal direcionadas especificamente para a questão do lixo marinho”. O MMA apoia um projeto da Universidade Federal da Bahia (UFBA) para a elaboração de um marco zero sobre as informações existentes no país sobre esse tipo de resíduo.

Fonte: Correio Braziliense

Foto: blog.conservation.org