Futuro palco das competições de remo e canoagem das Olimpíadas do Rio, a Lagoa Rodrigo de Freitas sofreu uma mortandade de peixes nos últimos dias. Milhares de savelhas começaram a aparecer mortas no espelho d”água na quarta-feira, e, ainda ontem, o mau cheiro incomodava quem passava pelo cartão-postal do Rio.
– É inacreditável que a cidade que sediará os Jogos Olímpicos ainda tenha esse problema. Haverá provas aqui. O cheiro é horrível e não condiz com a beleza da lagoa – criticou a agente de viagens Adelaide Frossard.
Somente entre quarta e sexta-feira, de acordo com a Comlurb, foram retirados cerca de 460 quilos de peixes mortos das águas. No sábado, uma quantidade menor também foi recolhida, sem que houvesse pesagem. Ontem, muitos peixes ainda boiavam na superfície. O advogado Jaime Orlando, morador da Lagoa, fez imagens da mortandade com a câmera de seu celular para publicá-las nas redes sociais.
– Não é escondendo os problemas que se revela o amor pela cidade. É preciso mostrar as coisas ruins para que sejam corrigidas. Há anos acompanho esse problema. A mortandade de peixes revela o descaso de nossas autoridades.
A causa da mortandade, segundo a Secretaria municipal de Meio Ambiente, foi um choque térmico provocado por uma grande entrada de água na lagoa durante as chuvas e a ressaca que atingiram a cidade na semana passada. A variação de temperatura, de acordo com o órgão, foi de quatro graus num curto espaço de tempo.
CRÍTICA A TRABALHOS DE LIMPEZA
A concentração de oxigênio dissolvido na água, no entanto, estaria dentro dos padrões normais. A secretaria informou ainda que as ações de monitoramento foram intensificadas por equipes do próprio órgão, da Comlurb e da Rio Águas.
O biólogo Mário Moscatelli explicou que as savelhas são a primeira espécie a morrer quando ocorre algum tipo de desequilíbrio. Para ele, o mais grave, no entanto, foi não ter havido um plano de contingenciamento para recolher os peixes mortos: – Se eles não são retirados imediatamente, acabam causando um desequilíbrio maior, pois a decomposição absorve oxigênio da água, afetando outras espécies mais resistentes.
Segundo a Comlurb, não houve reforço para a retirada dos peixes porque a quantidade não era significativa. Dois catamarãs da companhia trabalhavam na limpeza da lagoa, o que os próprios garis diziam não ser suficiente para a realização do trabalho.
Fonte: O Globo
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