lagoaDepois de quase duas semanas de mortandade de peixes na Lagoa Rodrigo de Freitas, a situação parece ter voltado ao normal ontem. A Secretaria municipal de Meio Ambiente retirou as bandeiras vermelhas, indicativas de que as condições eram críticas. Segundo a prefeitura, o nível de oxigênio nas águas melhorou. Por volta do meio- dia, medições indicaram a concentração de 6 miligramas de oxigênio por litro d”água – 2 miligramas por litro acima do mínimo considerado ideal.

Desde o último dia 8, mais de 53 toneladas de peixes mortos foram retiradas das águas. Ontem, o trabalho dos garis se concentrava na retirada de savelhas que se acumulavam nos manguezais. Eles contavam com o apoio de cinco ecobarcos alugados pela Secretaria municipal de Conservação na semana passada e usaram essência de eucalipto para disfarçar o mau cheiro. Segundo frequentadores, ontem, o odor de peixe morto era muito menos intenso do que em dias anteriores. Moradora da Ilha do Governador, a professora aposentada Ana Maria Fernandes Maciel foi uma das que aproveitaram o feriado para passear na região, acompanhada de uma das filhas e do genro: – Demos uma volta completa na Lagoa, caminhando pela manhã. Não senti mau cheiro e nem cheguei a observar peixes mortos. Aparentemente, tudo voltou ao normal mesmo. Felizmente – disse Ana Maria.

A secretar ia municipal de Meio Ambiente atribuiu a mortandade à condições climáticas que favoreceram a multiplicação de algas. Quando elas morrem e se decompõem, consomem parte do oxigênio disponível para os peixes.

REPERCUSSÃO INTERNACIONAL

Apesar de não ter sido a maior da história, essa mortandade acabou tendo repercussão internacional. Reportagens em várias publicações do exterior lembraram que a Lagoa Rodrigo de Freitas é uma instalação olímpica. No ano que vem, durante os Jogos, o local receberá as provas de remo e canoagem de velocidade. Em agosto, acontecerá um eventoteste. No dia a dia, a Lagoa é usada para a prática de esportes náuticos e os atletas tiveram que conviver com os peixes mor tos. Desde o século XVII, já foram registrados vários casos de mortandade. Nas últimas décadas, inúmeras soluções foram debatidas entre o poder público e especialistas para acabar com o problema, mas jamais saíram do papel.

Fonte: O Globo

Foto: Rede Globo