A China precisa de 2 trilhões de yuans (US$ 320 bilhões) por ano em investimentos ao longo dos próximos cinco anos para cumprir as metas de redução da poluição definidas pelo Ministério do Meio Ambiente, de acordo com o relatório do banco central sobre as finanças “verdes”.
O relatório, divulgado ontem, estimou que o orçamento da China cobre apenas 15% dos investimentos necessários e defendeu o uso de créditos de carbono, assim como de ferramentas de financiamento como empréstimos, títulos e recursos especiais para os projetos verdes.
O autor do documento é Ma Jun, economista que foi do Deutsche Bank e que é o principal economista de análises do Banco do Povo da China. “É crucial que o sistema financeiro desempenhe o papel de canalizar e incentivar o capital privado nos setores verdes”, disse.
Na semana passada, o ministério divulgou plano para enfrentar o problema da poluição das águas, sendo que Províncias chinesas já haviam divulgado planos para cumprir as metas de redução da poluição do ar fixadas em 2013.
Na China, os anúncios governamentais sobre financiamento, bem como sobre seus planos quinquenais podem ser uma “salada” de projetos de infraestrutura anunciados anteriormente e novos “projetos de estimação”, o que torna difícil identificar como suas verbas são alocadas. Certas recomendações ainda estão sendo definidas. Para 2016, a China planeja combinar em um único esquema sete projetos piloto centrados em cidades e focados em comercialização de créditos de carbono.
As incorporadoras imobiliárias poderão obter empréstimos preferenciais caso seus projetos atendam a prioridades nacionais, como a meta segundo a qual até 2020 a energia renovável represente um quinto da capacidade instalada chinesa. Projetos já anunciados incluem US$ 150 bilhões para a construção de dezenas de usinas nucleares e planos para hidrelétricas nos poucos trechos de rios ainda não represados.
Alguns programas poderão dar margem a abusos. As incorporadoras podem driblar restrições ao crédito rotulando edifícios de “verdes” ou “eficientes no uso de energia”. Os dois conceitos não são definidos com muito rigor.
Alguns objetivos são modestos, segundo os padrões em países desenvolvidos. Mesmo assim, as metas exigem custos da ordem de bilhões em tratamento de água e esgoto, paralelamente à modernização industrial.
Fonte: Valor Econômico
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