Chamas começaram na sexta-feira e consumiram o equivalente a mais de mil campos de futebol. O fogo só deve ser totalmente extinto na manhã de hoje, e a prefeitura da cidade vai investigar a causa do incidente
Um incêndio no Parque Estadual dos Pireneus, em Pirenópolis, destruiu pelo menos 1.106 hectares de vegetação. De acordo com o Corpo de Bombeiros, o fogo estava controlado, mas ainda não havia sido completamente extinto até o início da noite de ontem. A expectativa da corporação era controlar as chamas até a manhã de hoje. Cerca de 20 bombeiros e quatro agentes ambientais trabalham no local desde sexta-feira, quando o fogo começou. A unidade de conservação tem 2.833 hectares e abrange ainda os municípios de Cocalzinho de Goiás e Corumbá de Goiás. O foco das chamas é na área sul do parque, na região da Cachoeira do Sonrisal. A causa do incêndio não foi identificada.
Segundo o capitão Daniel Batista, comandante do 11º companhia Independente de Bombeiro Militar, responsável pela região, o fogo está restrito entre uma estrada e um córrego. “Delimitamos a área de controle. Isso diminui o risco de propagação (do fogo) e conseguimos preservar o parque. Há ainda alguns focos remanescentes, mas o local com as chamas está circunscrito”, afirma. O episódio foi classificado como de média proporção devido à área atingida e ao número de bombeiros envolvidos. Como o incêndio não foi completamente encerrado, a área atingida pode ser ainda maior do que a já registrada. “Até ontem (sábado) à noite, nós fizemos um levantamento por satélite e a chama era de uma área de 1.106 hectares”, afirmou.
Funcionário de uma pousada, Lucas Gomes, 17 anos, conta que a região ficou coberta por fumaça desde sexta-feira. “Dos pontos mais altos da cidade dava para ver o fogo”, conta. A dificuldade de acesso, em razão das características da vegetação, limita a entrada de veículos e os bombeiros usam, principalmente, abafadores e mochilas com 20 litros de água. A área não sofre queimadas há cerca de cinco anos, o que também dificulta o controle do incêndio. “A região está preservada, o que cria uma biomassa e isso, associado à baixa umidade e à temperatura elevada durante o dia, ao vento e à vegetação rasteira, leva a uma propagação muito rápida”, explica Daniel Batista. Ele lembra que queimadas são comuns nesta época do ano, devido às condições climáticas do Cerrado. “Desde o início de julho, atendemos a chamados regulares nas fazendas”, relata.
Perícia
O prefeito de Pirenópolis, Nivaldo Melo, lamentou o episódio e destacou a importância de determinar a causa do incêndio. “Foi uma fatalidade. Agora, temos que ver o que aconteceu exatamente, saber se foi um incêndio criminoso”, afirmou. Ele disse que vai se reunir com o secretário de Meio Ambiente municipal, Arthur Abreu, na manhã de hoje. O último grande incêndio no parque aconteceu em julho de 2010 e teve a mesma proporção: 40% da vegetação foi atingida e foram mobilizados 40 bombeiros.
Diversos córregos nascem no alto da Serra dos Pireneus e dão origem ao Rio das Almas e ao Rio Corumbá, responsáveis pelo abastecimento de comunidades da região. Nos dois últimos meses, não foi registrado qualquer incêndio de grande proporção na região de Pirenópolis, de acordo com o Corpo de Bombeiros de Goiás. Em todo o estado, foram identificadas cerca de 70 queimadas em matas e florestas desde janeiro.
Fonte e foto: Correio Braziliense
