henriqueafA Comissão de Direitos Humanos e Minorias promoveu, na última quarta-feira (06/11), audiência pública sobre os casos de suicídio e de assédio moral dos policiais federais. Segundo reportagem da revista IstoÉ, nos últimos 40 anos, 36 policiais federais morreram no exercício da função, sendo que 11 se suicidaram entre março de 2012 e março deste ano.

No plenário da comissão, o deputado Henrique Afonso (PV-AC) afirmou que a CDHM não deve servir apenas ao recebimento de denúncias, mas ter um papel prático na promoção de mudanças sociais. Segundo o deputado “o Brasil precisa ser passado a limpo. Trazer a verdade, reparar erros, mudar. É preciso acabar com a cultura do autoritarismo em todas as áreas do país”.

Nos últimos 24 meses, foram registrados 12 suicídios de policiais federais. De acordo com as entidades que representam esses profissionais, uma grande parte da culpa por essas mortes é o assédio moral. Elas denunciam que o esquema extremamente hierarquizado, que se apoia numa lei do período da ditadura militar, dá poderes plenos para os chefes, que os utilizam para humilhar os subordinados.

Bibiana Oliveira, diretora do Sindicato dos Policiais Federais do Paraná, revelou que os policiais que questionam as condições de trabalho sofrem perseguições como seguidas remoções e processos disciplinares arbitrários.

A pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB) Fernanda Torres apresentou pesquisa realizada em 2012 com 327 policiais, com média de 20 anos de PF. O estudo apontou que 23% tinham se afastado por motivo de saúde no último ano, e 40% por transtornos mentais ou outros motivos que podiam ser somatizações. Metade disse que gostaria de deixar a Polícia Federal, mesmo depois de todo o investimento necessário para entrar lá. Eles diziam que quatro meses é muito pouco tempo para formar um policial e se sentiam injustiçados e não reconhecidos, apesar de saberem que seu trabalho é importante para

Para a coordenadora da pesquisa, a professora Ana Magnólia Mendes, o assédio pode provocar o suicídio. “Há um descompasso enorme entre o que é exigido, as condições que são dadas e o que é valorizado ou não desse fazer, gerando para o trabalhador esse sentimento profundo de incompetência, que leva a esse desamparo e a esse abandono, sendo aí o suicídio a radicalidade”, afirmou.

A presidente do Sindicato Nacional dos Servidores do Plano Especial de Cargos da Polícia Federal, Leilane Oliveira, afirmou que a PF tem em seus quadros 13 psicólogos e 12 psiquiatras. Ela disse que o Ministério da Justiça anunciou um plano de apoio psicológico após o último suicídio, mas que ele se limita a deixar os profissionais de saúde mental de sobreaviso. Em caso de urgência, eles podem ser convocados para dar um laudo que determine a retirada de porte de arma de um policial.

O presidente do Sindicato dos Policiais Federais do Distrito Federal, Flávio Werneck Meneguelli, leu o depoimento de um policial: “Entra diretor-geral, sai diretor-geral e nada que possa significar mais atenção à saúde psicológica do servidor é apresentado como solução. Pelo contrário, apenas recrudescimento das relações de trabalho. Pressão, abusos, assédio, punição. Aos ditos, entre aspas, fracos, o rótulo e o preconceito institucional”.

Para Henrique Afonso, a gestão da administração pública deve ser feita de forma a valorizar e proteger os policiais, assim como o conjunto do funcionalismo, ao invés de pressioná-los e assediá-los. O deputado defende que seja analisada pela comissão a possibilidade de pedir a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o problema.

Fonte: Assessoria de Comunicação – Lid/PV, com informações da Agência Câmara Notícias

Foto: Tatyane Albuquerque – Lid/PV