Turistas estrangeiros aproveitam dia sem jogos no Mundial para conhecer as belezas da natureza do DF. Cachoeiras e vegetação típica do Planalto Central encantam franceses, alemães, chineses, ingleses e latino-americanos
São mais ou menos 25 minutos na estrada de chão batido. Da janela do carro, só é possível ver uma imensidão verde, repleta de plantas e árvores tortas. Antes mesmo da chegada ao destino final, a Chapada Imperial, a beleza do Cerrado impressiona os turistas estrangeiros. Ao desembarcar no local, os guias levam os grupos até as cachoeiras. Durante a trilha de 3km, que chega a diversas quedas d’água, os funcionários fazem paradas e dão explicações sobre as riquezas e as características do bioma típico do Planalto Central.
Bem antes de encontrar a água, no começo no trajeto, o investidor francês Yogen Mauree, 32 anos, se supreendeu com uma samambaia da espécie xaxim, em extinção, mas muito vista no Cerrado. “É linda”, elogiou. A trilha tem mato fechado, animais e pedras no percurso. A sensação, segundo o inglês Anil Sondhi, 43, engenheiro da computação, é de desbravar uma selva nunca antes habitada. “Acho que em nenhum momento da vida estive no meio do mato desse jeito, tão longe da civilização. A natureza é realmente exuberante”, afirma.
Mais alguns passos e o guia para de novo. Ele mostra uma planta carnívora, e todos os olhos se arregalam. “É tão comum assim encontrá-las?”, questiona o alemão aposentado Manfred Ehrhan, 61 anos. Com um filho que mora em Brasília, ele aproveitou a Copa do Mundo para visitá-lo com a esposa, outro filho e a nora. Cinco anos atrás, eles vieram à capital e conheceram a Chapada Imperial. Quando pensaram em voltar ao Brasil, a primeira coisa que fizeram foi combinar o passeio “àquele lugar lindo no meio do nada”. “Foi um local que nos marcou muito na última vez que estivemos aqui. Na Alemanha, não temos a oportunidade de entrar em contato com a natureza dessa maneira”, conta a alemã aposentada, esposa de Manfred, Carmen, 59.
Plantas e água
Com o casal veio o filho mais novo, Bastian, 35 anos, que mora em Hamburgo com os pais, e a namorada dele, Nelly Schroder, 33, médica. Ela não conhecia o Brasil e veio com a família do companheiro para aproveitar a Copa do Mundo. “Querendo ou não, quando se fala em Brasil é isso que imaginamos. Uma região com beleza natural incomparável e todos os tipos de plantas”, destaca ela. No meio da trilha, após 40 minutos de caminhada, chega-se à primeira cachoeira. Ela não é grande, mas tem um poço para banho com 4m de profundidade e água tão limpa que dá para ver o fundo rochoso do poço.
Todos se preparam para mergulhar e matar o calor, àquela altura quase insuportável por causa da distância caminhada no sol escaldante. Os integrantes do grupo colocaram roupas de banho, menos o inglês Sondhi, que ficou isolado em um canto. “Eu invejo o meu amigo Mauree que tem coragem. Mas eu prefiro ficar em solo, não entrar nessa correnteza”, teme. Ao serem informados pelo guia que a água é potável, os turistas não acreditam. Ressabiados, ficam com um pé atrás. A peruana Jimena Silva, 16 anos, estudante, deu o primeiro gole e encorajou os demais. “Além de limpa, é geladinha. Está na temperatura ideal para beber”, afirma ela.
Uma equipe da TVB, canal estatal chinês, também fez a trilha. Eles estão em Brasília por conta da cobertura da Copa do Mundo e “foram atrás das belezas naturais no Brasil para fazer uma reportagem e mostrar aos chineses”. “Não tem nada parecido com isso no nosso país. Tenho certeza que todos os telespectadores ficarão encantados”, aposta o repórter Him Vince. Ao se deparar com um buriti, ele fica encantado com a árvore, um dos símbolos do Cerrado, e pede para o cinegrafista fazer imagens. Ainda tenta, repetidamente, pronunciar o nome: “Bu-ri-ti”, consegue ele, após algumas tentativas.
Arara-azul
A caminhada até a segunda cachoeira também é desgastante. Mas, para compensar, ao chegar à queda d’água de mais ou menos 4m, uma arara-azul pousa próximo aos gringos. “Isso é o Brasil”, exclama Sondhi. Há 60 pássaros da espécie na Chapada Imperial. O espaço mantém parceria com o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), que reintroduz na natureza araras apreendidas do tráfico de animais. Um dos proprietários do local, Márcio Imperial diz que, desde o começo do Mundial, já recebeu turistas de todos os cantos do mundo. “Russo, nigeriano, colombiano. Pessoas de todas as nacionalidades que você imaginar estiveram por aqui”, conta.
Para saber mais
Proteção Ambiental
A 50km da área central de Brasília, a Chapada Imperial fica próxima à Brazlândia, ainda dentro do Distrito Federal. Localizada em uma Área de Preservação Ambiental (APA), tem cerca de 5 mil hectares, sendo 95% dele totalmente preservado. No espaço, há mais de 30 cachoeiras e o aventureiro pode optar por três opções de trilha: uma pequena, uma média e outra longa, com preços variados. Além disso, o espaço tem estrutura para quem gosta de fazer tirolesa e arvorismo. Por causa do Projeto Bicho Livre, em parceria com o IBAMA, muitos animais — como onça, lobo-guará, tamanduá-bandeira, tatu-canastra, arara azul, entre outros — são reintruduzidos na natureza. Mais informações disponíveis no site www.chapadaimperial.com.br ou pelo telefone (61) 9961-2461.
Fonte: Correio Brasiliense
Foto: riosvivos.org.br
