Imagens na televisão mostram pilhas e pilhas de sacos de lixo cheios de terra contaminada em Fukushima. São um indício de como, quatro anos após o acidente nuclear, o governo japonês continua trabalhando para descontaminar a região. Para tornar a área habitável novamente e trazer os antigos moradores de volta, dez mil trabalhadores entraram em ação nós últimos anos. Contudo, segundo o Greenpeace, a descontaminação não aconteceu.
Especialistas da organização fizeram, nas últimas semanas, medições no distrito de Iitate, a cerca de 30 quilômetros de Fukushima. A conclusão não foi nada animadora: os níveis de radiação continuam tão altos que um retorno dos antigos moradores seria uma atitude irresponsável.
“O governo japonês sentencia milhares de pessoas a uma vida numa região com níveis arriscados de radiação”, afirma Heinz Smital, especialista do Greenpeace para questões nucleares. Mycle Schneider, vencedor do Prêmio Nobel Alternativo e consultor independente de governos e organizações internacionais, concorda com o colega. “O risco para a saúde das pessoas seria enorme”, afirma.
É verdade que os antigos moradores de Fukushima não são obrigados a retornar à região, porém, muitos não terão escolha, diz Smital. Nesse contexto, o especialista fala numa “chantagem nuclear”, já que há pouco o governo do primeiro-ministro Shinzo Abe decretou que encerrará até 2018 as indenizações às vítimas do acidente. Isso significa que indivíduos mais pobres seriam praticamente forçados a retornar aos lares contaminados – queiram ou não.
E nem todo mundo quer voltar. Nas redes sociais, vários manifestaram medo. A usuária do Twitter @microcarpa, por exemplo, escreveu que está “muito preocupada com a persistente catástrofe de Fukushima”. Já a aposentada Yoko Chase reivindicou que as autoridades levem em consideração a opinião dos atingidos antes de obrigá-los a retornar.
Outros foram ainda mais impetuosos. O usuário @kemi510 acusou o governo japonês de estar usando os cidadãos como cobaias para testar os efeitos da radioatividade. E @syntax questionou a falta de dados sobre o impacto da tragédia. “Há cada vez mais pessoas com câncer. Não deveria ser elaborado um panorama sobre as doenças na região, como o feito com as crianças de Chernobyl?”
Fonte: Terra
