O processo de seleção da tecnologia que será adotada para as futuras usinas nucleares brasileiras seguirá o critério econômico. Segundo o diretor de Planejamento, Gestão e Meio Ambiente da Eletronuclear, Leonam Guimarães, o modelo de contratação vai incluir uma certificação tecnológica, mas o fator de decisão será o de custo mais baixo.
“Vai haver uma certificação tecnológica, mas a seleção da tecnologia será de critério econômico”, disse o executivo, em seminário sobre energia nuclear, promovido esta semana pela gigante russa do setor Rosatom, no Rio de Janeiro.
Além da russa, estão no páreo para fornecer os principais equipamentos às futuras usinas nucleares brasileiras a Atmea, joint-venture formada pela francesa Areva com a japonesa Mitsubishi, a norte-americana Westinghouse e a chinesa State Nuclear Power Technology Company (SNPTC).
Segundo Guimarães, no momento a Eletronuclear desenvolve estudo de viabilidade econômico-financeira das futuras usinas, com a definição de locais de construção, e no estudo de impacto ambiental. A empresa enviou recentemente a potenciais fornecedores pedido de informações (conhecido como RFI) que permita obter dados para requerer a licença para a instalação da usina no local pré-definido.
O diretor da Eletronuclear diz que o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, já sinalizou que o modelo de negócio das futuras usinas será diferente do adotado para as três primeiras nucleares do país, em que a estatal fica responsável por obter o financiamento e contratar todos os serviços do empreendimento. A ideia é que a estatal feche parcerias com os fornecedores para desenvolverem o projeto em conjunto, permitindo uma participação de empresas privadas na geração de energia nuclear.
“A Eletronuclear não está comprando usina. Cabe a nós habilidade para identificar um modelo de negócio que se adapte à legislação existente e que permita maior participação de entidades privadas nacionais e internacionais. É muito mais uma parceria do que situação de venda”, disse.
Enquanto não é divulgado um novo plano de longo prazo para o setor, a empresa continua trabalhando com a meta indicada no Plano Nacional de Energia 2030, que prevê a construção de quatro usinas nucleares, de 1 mil megawatts (MW) de capacidade instalada, cada. Desse total, duas estão previstas para serem instaladas no Sudeste e duas, no Nordeste.
Fonte: Valor
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