A Comissão de Legislação Participativa ouviu, nesta quarta-feira, 18, representantes de entidades da sociedade civil. A intenção foi conhecer as principais demandas da população para este ano.
“Ao início de cada sessão legislativa, a comissão realiza uma mesa-redonda com os representantes da sociedade civil, com o objetivo de receber propostas e sugestões que orientem os trabalhos legislativos da comissão, sob a perspectiva da própria sociedade”, explica o presidente do colegiado, deputado Fábio Ramalho (PV-MG).
A diretora executiva da Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais (Abong), Adriana Ramos, defendeu o aprimoramento do marco que regulamenta as parcerias entre ONGs e a administração pública (Lei 13.019/14).
Qualquer cidadão ou cidadã pode acompanhar ou sugerir projetos à Comissão de Participação Legislativa. Basta acessar o Banco de Ideias na página do colegiado.
Adriana Ramos considera que, apesar de importante, o marco é insuficiente e não abordou outras questões que precisam ser normatizadas, como a discussão sobre a doação por parte dos indivíduos e a categorização das entidades.
“Existe uma série de discussões necessárias sobre a classificação dessas organizações. Então, nós vamos trazer aqui uma proposta de que a Comissão de Participação Legislativa, em articulação com outras comissões, promova um seminário sobre o papel da sociedade civil”, disse Adriana.
Participação da sociedade
Criada para facilitar a participação da sociedade na elaboração de leis, a Comissão de Legislação Participativa recebe sugestões de projetos de lei ordinários, complementares e até de emendas ao Plano Plurianual e à Lei de Diretrizes Orçamentárias, vindas de qualquer entidade civil organizada, como ONGs, associações, sindicatos e órgãos de classe.
Estiveram presentes na reunião, cerca de 30 entidades , entre confederações, associações, institutos e sindicatos ligados a temas como saúde, direito, trabalho, segurança, comunicação, meio ambiente, educação e transporte.
Proteção marinha
O especialista em políticas públicas do WWF Brasil Aldem Bourscheit defendeu que o debate sobre a proteção de áreas marinhas e costeiras avance na Casa, como também a proposta de emenda à Constituição que transforma em patrimônio nacional o cerrado e a caatinga.
Ele sugeriu ainda que fosse discutida a proposta de criação e manutenção de áreas protegidas, como terras indígenas, quilombolas e áreas de preservação: “Esses instrumentos de conservação do meio ambiente e de culturas tradicionais estão hoje francamente ameaçados por algumas iniciativas que estão tramitando no Congresso Nacional, como a PEC 215 e o Novo Código da Mineração”.
Fortalecimento
Durante a reunião, o deputado Glauber Braga (PSB-RJ), defendeu que se fortalecesse o prestígio da Comissão de Legislação Participativa nos órgãos da decisão da casa, com medidas como tornar prioritária a tramitação de projetos elaborados pela comissão e possibilitar que o colegiado proponha emendas à Constituição.
“A gente tem que trazer o grau de importância que ela tem de fato para o grau de prestígio necessária em relação a todos os órgãos de decisão da Casa, incluindo na Mesa Diretora”, ressaltou Braga. “As mazelas da política e da democracia de sistema representativo se resolvem com mais política, com mais participação, mais democracia, uma maior intervenção da sociedade civil organizada em conjunto com o sistema representativo.”
Encaminhamento
Fábio Ramalho afirmou que discutirá o fortalecimento da Comissão de Participação Legislativa e explicou que dará encaminhamento a todas as sugestões propostas na reunião após serem formalmente apresentadas pelas organizações.
“Tem várias coisa que a gente vai fazer. A primeira é pedir o desarquivamento dos projetos do mandato passado. E, a partir desse momento, a gente dará continuidade aos trabalhos da comissão, que é ouvir e atender e tentar encaminhar os projetos que vierem das entidades, das organizações”, observou.
Fonte: Agência Câmara Notícias
Foto: Lucio Bernardo Jr. / Câmara dos Deputados
