??????O desenvolvimento das cidades de forma desordenada e o descaso do poder público (projetos a curto prazo, visto que as políticas públicas mudam de quatro em quatro anos), os dejetos liberados pelas indústrias e à falta de conscientização e educação cidadã por parte da população, contribuem para que grande parte dos mananciais brasileiros se tornem problemas localizados de poluição, gerando os denominados rios urbanos (sinônimos de ambiente degradados, desvalorizados e negados pela sociedade, embora uma alternativa de acesso à moradia para população com baixo poder aquisitivo, as quais não podem adquirir um espaço seguro nas cidades).

Existem rios no mundo que enfrentam diversos problemas relacionados a Poluição, mas será que é possível despoluir estes rios?

O rio Sena, em Paris, França, foi degradado por conta da Poluição industrial e o recebimento de dejetos domésticos, por conta disto este rio urbano passou a receber uma maior atenção por parte dos governantes que a partir da década de 1960 passou a receber investimentos para a construção de estações de tratamento de esgotos (Etes) e, como consequência, a qualidade ambiental do rio e de seu Ecossistema melhorou, mas para isso, contou com as Etes, o governo acrescentou leis rigorosas que puniam quem despejasse substâncias na água, além de outras medidas para reverter e impedir que estes problemas ocorram novamente.

Assim como o rio Sena, o rio Tamisa, em Londres, Inglaterra, também sofreu por conta da Poluição, esta gerada por falta de saneamento básico, apenas muitos anos mais tarde, após anos de degradação que foram produzidas ações de forma efetiva para a reversão deste problema. Desta forma, criou-se estações de tratamento para despoluir o rio, entre outras medidas complementares que ajudaram Londres a tornar o rio antes poluído em uma das diversas paisagens turísticas da cidade.

Em relação a forma de gerir os Recursos Hídricos, o Brasil deixa a desejar, visto que há diversos rios urbanos poluídos neste país, tais como: rio Tietê em São Paulo e o rio Meia Ponte em Goiânia. Contudo, voltando para a visão de mundo, o Brasil está aquém quando comparado a diversos outros países, como por exemplo a França e o Reino Unido.

Bons exemplos existem. Então, porque não conseguimos despoluir os nossos rios de forma eficiente? Nosso país conta com diversas medidas para mitigar os impactos provocados nos mananciais, porém, pode-se verificar que essas medidas não são suficientes para despoluir os rios. Enquanto isso, nós brasileiros passamos por diversos efeitos colaterais, já que não prevenimos e remediamos de forma ineficiente, agora só nos resta sofrer por causa da “doença”, só espero que não se torne uma “epidemia”.

Atualmente, já se vê relatos sobre a problemática da água, mais precisamente, da falta dela. Porém, aos poucos percebe-se uma mudança, uma quebra de paradigmas, uma vez que os rios antes vistos como paisagens mortas e muitas vezes escondidos de alguma forma da visão da sociedade, hoje em dia são utilizados como um exemplo a não ser seguido. Com isso, espera-se que a inserção da sociedade e dos setores públicos e privados, contribua como um “medicamento eficiente”, pois só com a vontade de todos há como tornar essa paisagem antes sinônimo de algo ruim para uma paisagem exuberante e com vida.

Hugo Marques Cabral, biólogo, aluno bolsista da Capes do Mestrado em Ecologia e Produção Sustentável da Pontifícia Universidade Católica de Goiás

Marcos Antonio da Silva, professor da Unidade Acadêmico-Administrativa de Educação da Pontifícia Universidade Católica de Goiás

Fonte: Diário da Manhã / GO

Foto: helvioromero.wordpress.com