sarney_danteNo dia em que se comemoram os trinta anos da votação das Diretas Já, o líder do Partido Verde na Câmara dos Deputados, dep. Sarney Filho (PV-MA), faz uma reflexão sobre a importância histórica da proposta. O deputado votou a favor da emenda, contra a orientação do PDS, partido do qual era membro.

“Hoje, 25 de abril, é uma data histórica. Há 30 anos, dei meu voto no Plenário da Câmara a favor da emenda Dante de Oliveira que estabelecia a votação direta para presidente da República. Revendo a história, sinto-me orgulhoso desse gesto e do privilégio de ter participado de um momento fundamental para o processo de redemocratização do país. Naquele dia, a maioria da Câmara votou pelas eleições diretas, apenas não conseguimos alcançar o quórum constitucional. Eu era um jovem de 26 anos, vindo da Assembleia Legislativa do Maranhão, e fui sensível ao clamor da população. Aquele foi um momento de inflexão do autoritarismo e, a partir daí, acentuou-se o processo rumo à redemocratização do país. O autor da emenda das Diretas Já, Dante de Oliveira, morreu jovem, mas deixou sua marca, com uma emenda que modificou o futuro do país. Hoje, a democracia é um fato consumado. O que estamos vivenciando agora é a dor do seu crescimento, do aprofundamento do processo democrático! Vamos em frente e um abraço a todos!”

Sarney Filho foi uma das personalidades ouvidas pelo jornal O Globo como nome de destaque naquele contexto político, dentro da ampla cobertura que a imprensa vem dando ao aniversário de três décadas da emenda. Em seu depoimento, o parlamentar relembrou a tensão que cercou o episódio:

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“Foram dias, para mim, particularmente difíceis. Eu era de um partido, o PDS, que foi contra as diretas e que era presidido pelo meu pai. Mas votei a favor. Não tive problemas de convicção e votaria de qualquer maneira pelas Diretas. Tinha acabado de sair da faculdade (fez Direito). Mas fui muito pressionado. Foi muita pressão não do meu pai, mas do partido. Diziam que eu poderia prejudicar meu pai. Os outros colegas de partido me chamavam de traidor, mas votei com muita tranquilidade. Não houve pressão alguma de ordem pessoal. Não chegamos a conversar (ele e o pai). Quando foi se aproximando o dia da votação, fui naturalmente me afastando para não ter que sofrer qualquer tipo de pressão. Os colegas de partido diziam que votar a favor das Diretas seria atrasar ainda mais a abertura política. A raiva dos deputados do PDS era maior em relação a mim, por ser filho de quem sou. Fui hostilizado no plenário. Mandavam dedo para mim, me chamavam de traidor. Quando começou a mobilização das ruas eu era universitário. Estava nas ruas. Tinha muita interação das ideias contemporâneas. Não tinha como votar contra as diretas. Desse no que desse. Houve uma reação grande do partido. Não teve espaço para comentário de brincadeira com meu pai depois, puxão de orelha em tom de humor. Nada disso. Não se tinha espaço para isso. Era melhor não falar nada. No dia seguinte fui muito cumprimentado. Até o próprio Millôr Fernandes, na Veja, fez citações do meu voto pelas diretas. Fui muito aplaudido. Digo que votei com consciência.” (depoimento dado a O Globo, publicado no site do jornal, a 25/04)

Elaborada no final da ditadura militar, a emenda Dante de Oliveira, conhecida como emenda das Diretas Já, previa eleições diretas para Presidente da República. Apesar de ter recebido votos favoráveis por parte da maioria do plenário, faltaram 22 votos na Câmara para o texto seguir para o Senado. Não apareceram na votação 113 deputados – a esmagadora maioria do PDS, partido de apoio do regime militar. A campanha em defesa da emenda uniu pessoas de diferentes tendências políticas e levou milhões para as ruas das cidades brasileiras.

Fonte: assessoria de comunicação Lid/PV

Fotos: arquivo pessoal do dep. Sarney Filho; e <coffetina.blogspot.com>