Participantes de um seminário na Câmara dos Deputados foram unânimes em afirmar que o sistema agroflorestal só traz benefícios para a natureza e para o Brasil e, portanto, merece receber incentivos. A agrofloresta é o plantio intercalado de lavoura com floresta e, em alguns casos, com a criação de animais. Exemplos desse tipo são culturas de café com abacate, café com seringueira ou café com mogno e carneiro.

Segundo especialistas, é um sistema que ganha cada vez mais relevância e ainda tem muito espaço para avançar no País. Nas palavras do ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, pode ser uma solução para os problemas ambientais do mundo, uma vez que pode ser utilizado na recuperação de áreas de preservação e de reservas legais, além de gerar renda.

O deputado Evair Vieira de Melo, que sugeriu o seminário junto com o deputado Zé Silva (SD-MG), ressaltou que esse encontro era resultado do trabalho das Comissões de Agricultura e Meio Ambiente e que tem como objetivo dar visibilidade a essa iniciativa tão importante que são os sistemas agroflorestais “A Câmara do Deputados encerra o ano de maneira muito positiva com essa ação que dá suporte técnico e chama a atenção para uma alternativa de plantio que possibilita a produção em grande escala com a preservação ambiental”.

Valorização
Além disso, continuou Sarney, os mercados nacional e internacional cada vez mais valorizam produtos que respeitam o meio ambiente. O ministério, disse, tem empreendido ações de capacitação de produtores nos estados, com vistas à ampliação de mercados. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento também possui ações nessa linha, como a de implantação de agricultura com baixa emissão de carbono.

O deputado Zé Silva (SD-MG) disse que a legislação não avançou muito em relação ao tema. Ele reforçou que se trata de resgatar algo que já existe e pode ajudar no desenvolvimento sustentável. “Se a gente der oportunidade, a natureza nos ajuda. ”

Benefícios
Listados, os benefícios dos sistemas agroflorestais incluem o controle da erosão do solo, a melhoria microclimática, o aporte de matéria orgânica ao solo, a diversificação de produtos e fontes de receita para o agricultor.

Os adeptos do sistema trabalham para criar meios parecidos aos ecossistemas naturais, na dinâmica e no modo de funcionar. É o que faz há mais de 40 anos Ernst Götsch, pesquisador do método conhecido como agricultura sintrópica.

Götsch desenvolve técnicas de recuperação de solos por meio de plantios que levam à regeneração natural de florestas. O cultivo não usa agrotóxicos nem irrigação. A adubação é natural, feita a partir da cobertura do solo com folhas e galhos de plantas, que são constantemente podadas.

A regra é plantar aquilo que se come – soja, feijão, milho alface –, mas plantar também árvores. “Introduzo os meus elementos e os manejo em conjunto com os outros, otimizando o ecossistema”, afirmou Götsch. “Para comer futuramente, eu tenho que plantar floresta.”

Otimismo
No seminário, não foram apresentados números referentes a sistemas agroflorestais no Brasil. Em Minas Gerais, por exemplo, estima-se que menos de 400 propriedades trabalhem com produção orgânica certificada.

É pouco, segundo o coordenador de Agroecologia da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), Fernando Tinoco, que se mostrou otimista: “Dificilmente quem entra na agricultura ecológica sai dela. É mais saudável em todos os sentidos”.

Fonte: Com informações da Agência Câmara Notícias

Foto: Genilson Frazão