desastres_ecodesenvolvimento_org_brFalta de infraestrutura e urbanização desordenada agravam os efeitos de desastres naturais

Cerca de 19,3 milhões de pessoas no mundo foram obrigadas a deixar suas casas no ano passado devido a diferentes desastres naturais. De acordo com um relatório do Centro de Monitoramento de Deslocamentos Internos ( IDMC, na sigla em inglês), do Conselho Norueguês de Refugiados, uma pessoa a cada segundo teve que se deslocar por causa da natureza desde 2008.

O informe “Estimativas globais: pessoas desabrigadas por desastres” dá conta de que o número de deslocados por causa desses fenômenos está crescendo. Em 2014, segundo o documento, 17,5 milhões foram forçados a fugir de suas casas por causa de tragédias causadas pelo clima, como enchentes e tempestades, e 1,7 milhão ficaram sem teto por causa de fenômenos geológicos, como terremotos.

“As milhões de vidas devastadas por desastres são mais uma consequência de infraestruturas e políticas públicas mal concebidas pelo homem do que das forças da mãe natureza”, afirma, no relatório, o secretáriogeral do conselho, Jan Egeland. “Uma inundação não é um desastre, as consequências catastróficas acontecem quando as pessoas não estão preparadas ou protegidas quando o fenômeno natural ocorre”.

RISCO CRESCENTE.

Problemas como a urbanização desordenada e o crescimento da população que mora em zonas de perigo, aliados às mudanças climáticas, fazem com que a possibilidade de que as pessoas deixem suas casas seja atualmente 60% maior do que há quatro décadas. E o período em que elas ficam sem teto após desastres pode chegar a 26 anos.

Diretor- executivo do Instituto Internacional para a Sustentabilidade e professor do Departamento de Geografia e Meio Ambiente da PUC- Rio, Bernardo Baeta Neves Strassburg considera que estratégias de adaptação a desastres naturais e o desenvolvimento de novas tecnologias podem reduzir os efeitos de catástrofes no futuro.

– Certamente podemos ter um quadro menos dramático no futuro, mas é essencial observar que será um desafio ainda maior do que é hoje, já que os eventos climáticos extremos aumentarão em intensidade e frequência.

Fonte: O Globo

Foto: www.ecodesenvolvimento.org.br