habitosPesquisa revela que país estagnou ou regrediu em práticas que demonstrariam a preocupação com a saúde e com o meio ambiente

As campanhas de conscientização sobre problemas ambientais não têm surtido efeito no Brasil. Nos últimos oito anos, segundo pesquisa da Fecomércio RJ/Ipsos – realizada em 70 cidades do país – os porcentuais de economia de água, consumo de energia e alimentação saudável continuam praticamente estáveis. Alguns, inclusive, chegaram a subir. Em 2007, por exemplo, apenas 13% da população lavava o carro com mangueira. Em 2014, o índice subiu para 20%.

A pesquisa também constatou que um em cada quatro brasileiros (25%) ainda mantém o hábito de varrer ou lavar a calçada com o jato d’água da mangueira. No ano passado, o porcentual era de 24,5%. O lixo é outro problema. Apenas 48% da população faz a separação. Do total de habitantes no país, cerca de 130 milhões acreditam que materiais orgânicos e recicláveis são misturados depois da coleta.

Na opinião do economista da Fecomércio-RJ Christian Travassos, para darem certo as campanhas precisam afetar as finanças do consumidor. “Notamos que a mensagem tem mais efeito quando chega ao bolso da população. O brasileiro é mais sensível nessa parte”, relata. É o caso da energia elétrica. Segundo a pesquisa, uma das ações com maior adesão entre os brasileiros (91,53%) é o ato de apagar a luz antes de sair do recinto.

O economista também sugere campanhas governamentais e educativas. “O Estado precisa mostrar à população o que é mais relevante. Não basta saber que existe coleta de lixo. É necessário entender como ela é feita”, ressalta. As empresas, de acordo com ele, também podem exercer o papel educacional.

Exemplo corporativo

O escritório Gaia, Silva, Gaede & Associados criou o projeto Eco Gaia, que visa incentivar os funcionários a ter um consumo mais consciente. São várias iniciativas. A gramatura (espessura) do papel usado pela equipe, por exemplo, foi reduzida de 90 para 75. Já a impressão dos documentos passou a ser feita frente e verso. “A papelaria que já não pode mais ser usada a gente manda para ser reaproveitada e revendida”, conta Dayna Golçalvez, uma das responsáveis pela iniciativa.

Dayna relata que o escritório tem um sistema interno que registra a quantidade de árvores gastas em folhas de papel. “Em um ano foram 20. Para pagar nossa dívida com a natureza, doamos mudas de árvores para nossos colaboradores, que as plantam em suas residências”, diz.

Os copos de plástico foram dispensados e o local começou a disponibilizar uma xícara personalizada para cada um dos 130 funcionários. Uma papa-pilhas e baterias, feito de material reciclado, também foi criado para recolher esse tipo de material. A meta para o próximo ano é reutilizar a água que sobra em garrafinhas para regar as plantas do escritório.

Os “3 Rs” ainda são a melhor forma de educar

Se você fez ensino fundamental ou médio na metade da década de 1990, deve se lembrar dos “3 Rs” da Sustentabilidade”, bem difundidos em sala de aula. O conceito, cunhado na Rio 92 – a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento realizada no Rio de Janeiro em 1992 –, remete às palavras “Reduzir”, “Reutilizar” e “Reciclar”.

O “Reduzir” é basicamente diminuir o uso desenfreado de bens naturais – como água, por exemplo – e de acessórios que prejudicam o Meio Ambiente, como o carro. Em março, em Paris (França), o governo ofereceu três dias de transporte público gratuito para que a população deixasse o veículo em casa. Os índices de Poluição estavam acima da média.

O “Reutilizar” significa utilizar novamente os produtos que deveriam ser jogados fora. O escritório Gaia, Silva, Gaede & Associados dá um bom exemplo. A impressão de documentos é feita em frente e verso. Quando os papéis não podem ser mais usados, eles são enviados para indústrias que fazem Reciclagem.

E o “Reciclar”, o último da lista, é o mais difundido. Basta separar os lixos orgânicos dos recicláveis. “Apesar de antigo, os “3 Rs” continuam sendo a forma mais didática de ensinar as pessoas a terem um consumo mais sustentável”, relata o economista da Fecomércio-RJ Christian Travassos.

Fonte: Gazeta do Povo