O polêmico acordo de cooperação nuclear Brasil/Alemanha foi um dos principais temas discutidos nesta quarta-feira, 7, durante café da manhã entre os parlamentares do Partido Verde e o deputado verde alemão e ex-ministro de Meio Ambiente da Alemanha, Jürgen Trittin. O líder da bancada do PV, deputado Sarney Filho (MA), informou que no ano passado, o partido fez um apelo, por meio da embaixada no Brasil, para que o acordo nuclear Brasil/Alemanha não fosse renovado.
Trinttin defende a mesma posição dos verdes brasileiros, mas lembrou que o acordo firmado para a construção das usinas nucleares em Angra dos Reis estava perto de ser encerrado em 2004, quando ele era ministro de Meio Ambiente. “Ocorre que a então ministra das Minas e Energia, Dilma Rousseff, interferiu nas negociações que poderiam levar ao fim do acordo. Na época, eu e a Marina Silva [então ministra do Meio Ambiente] estávamos seguindo a mesma linha”, contou Trittin. “Hoje temos o consenso de todos os partidos de que todas as usinas nucleares devem ser fechadas”, completou.
Assinado em 1975, durante o regime militar, o documento prevê que o uso pacífico para a energia nuclear será renovado automaticamente, até o fim deste ano, se nenhuma das partes se manifestar contrariamente à prorrogação (Decreto 76.695/75). A bancada do PV lançou manifesto à sociedade contra essa renovação.
Além do líder da bancada e do presidente do PV, José Luís Penna (SP), participaram do encontro os deputados Roberto de Lucena (SP), Rosane Ferreira (PR) e Fábio Ramalho (MG).
Na ocasião o deputado Penna falou dos objetivos políticos do PV para 2014. Ele reafirmou que o partido terá candidatura própria à presidência da República e pretende levantar a bandeira de diversos temas. “Pretendemos aproveitar esse momento eleitoral para ampliar os debates em defesa das minorias. Queremos abrir os horizontes para uma sociedade mais tolerante”, afirmou o parlamentar.
Aquecimento global
O deputado Sarney Filho fez ainda uma análise da questão ambiental no Brasil, alertando para os retrocessos na legislação ambiental e chamou atenção para as consequências das emissões de gases do efeito estufa e das mudanças climáticas no País.
“A corrida desenvolvimentista está mudando o perfil das emissões brasileiras. Se antes a principal causa eram os desmatamentos e queimadas, com os mecanismos de comando e controle, a destruição das florestas diminuiu nos últimos anos. No entanto, hoje vemos como principais causadores das emissões o uso de combustíveis fósseis –em especial pelo aumento da frota de veículos com os estímulos dados à indústria automobilística e também as usinas termoelétricas”, afirmou o deputado.
Fonte: Assessoria de imprensa dep. Sarney Filho
Foto: Paula Laport/Lid PV
