Entidades ambientalistas aumentaram ontem a pressão para que Walter Palmer, suspeito de matar o leão Cecil, animal símbolo do Parque Nacional Hwange, no Zimbábue, seja punido. Depois da denúncia da ONG Zimbabwe Conservation Task Force (ZCTF), que apontou o dentista norte-americano como autor do crime, a Associação de Operadores do Safári (Soaz) do país africano confirmou sua participação. “De acordo com nossas informações, parece que ele já cometeu crimes similares em outros lugares”, afirmou Emmanuel Fundira, presidente da associação, referindo-se a uma suposta caça de um urso no estado de Wisconsin. A organização de defesa dos animais Peta, por sua vez, pediu, em um comunicado, que Palmer seja “extraditado, julgado e, preferivelmente, enforcado”.
Desde que a história veio a público e o nome de Palmer foi divulgado, ele fechou suas contas no Twitter e no Facebook, que foram alvos de ataques por parte de defensores da natureza. Além disso, muitas pessoas foram até a clínica do dentista para colocar bichinhos de pelúcia e flores em memória do leão morto cruelmente. Na terça-feira, Palmer divulgou um comunicado no qual lamentou a morte do leão e assegurou que seguiu as indicações de seus intermediários, tendo confiado “na experiência dos guias locais para caçar dentro da legalidade”.
Segundo as ONGs, Palmer pagou cerca de US$ 50 mil para a empresa Bushman Safari, de Theo Bronkhorst, para organizar uma caçada noturna. Eles teriam prendido um animal morto em seu veículo para atrair Cecil para fora da área de proteção. “Palmer lançou uma flecha contra Cecil, mas isso não o matou. Eles o localizaram 40 horas mais tarde e o mataram com uma arma de fogo”, acrescentou a organização. Depois de matá-lo, os caçadores teriam visto um colar de identificação e rastreamento e tentado tirá-lo. O animal foi decapitado e despedaçado.
No Zimbábue, a caça é permitida apenas em reservas privadas e seguindo certas cotas, mas não nos parques nacionais, que recebem dezenas de milhares de visitantes todos os anos. “Muitas pessoas vêm de longe para admirar nossos animais selvagens e é óbvio que a ausência de Cecil é um desastre”, lamentou Emmanuel Fundira. Ainda segundo a Soaz, os 12 filhotes de Cecil correm agora o risco de serem mortos pelo leão macho que ocupar o território antes dominado pelo felino abatido.
Fiança
O organizador de safáris zimbabuense Theo Bronkhorst, que ajudou Palmer na ação e estava detido recebeu ontem o direito de liberdade mediante pagamento de fiança de US$ 1 mil. Ele foi acusado por “não ter impedido uma caça ilegal” e será julgado em 5 de agosto, anunciou a juíza Lindiwe Maphosa. A magistrada ordenou que Bronkhorst compareça três vezes nesta semana à polícia e pediu seu passaporte.
O também zimbabuano Honest Tyrone Ndlovu, dono da granja onde foram encontrados os restos mortais do leão, deve comparecer hoje para responder por outras acusações. Um amigo da família Bronkhorst, Ian Ferguson, afirmou à agência France-Presse que se tratou de um acidente. “Tudo foi perfeitamente legal. Quando se deram conta de que o leão tinha uma coleira, foram imediatamente informar ao parque nacional”, defendeu.
Fonte: Correio Braziliense
Foto: www.emirates247.com

