Há dois anos o mundo viu o Japão ser destruído pela força das águas. Um tsunami destruiu casas e sonhos, feriu e matou milhares de pessoas. A tragédia atingiu a usina nuclear de Fukushima. No dia 11 de março de 2011 o núcleo do reator da usina explodiu contaminando o solo, o ar, as águas, os alimentos e provocando a expulsão de milhares de pessoas de suas casas. Neste dia, o mundo aprendeu que mesmo a segunda maior economia do mundo, mesmo um país tão avançado tecnologicamente, não sabe lidar com a energia nuclear.

Fukushima provocou mudanças no mundo. Muitos países revisaram o seu programa nuclear. A Alemanha anunciou o fim das usinas para 2022; a França, que hoje tem sua matriz energética com 70% de nuclear, pretende reduzir para 20 ou 10%; a Itália baniu as fontes nucleares; no Japão milhares de pessoas foram às ruas pedindo o fim das usinas nucleares. No Brasil, porém, os responsáveis pelo setor insistem na defesa de um sistema de segurança que, como é sabido, é totalmente precário. E até anunciam novas usinas.

No Brasil ocorre a autofiscalização: é a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) quem comanda o setor; é a CNEN quem produz e quem fiscaliza o que faz. O caso está em desacordo com o artigo 8º da Convenção de Segurança Nuclear, numa ação comparável, apenas, ao Paquistão e ao Irã.

Para lembrar a data, ambientalistas, estudiosos, técnicos, cidadãos de todo mundo estão cobrando dos governantes uma reflexão sobre o tema. Entidades como a Coalizão antinuclear estão cobrando dos governantes e dos parlamentares um posicionamento mais firme em defesa da vida e do meio ambiente.

Não podemos continuar tentando lidar com uma tecnologia que já se mostrou cara, perigosa e ultrapassada, apenas e tão somente para atender aos interesses das grandes empresas do setor.

Por tudo isso, causa espanto que exatamente no dia em o mundo lembra os dois anos da tragédia de Fukushima, o presidente da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro da Silva, vem a público informar a retomada do Programa Nuclear Brasileiro, com um investimento de R$ 50 bilhões na instalação de mais oito usinas nucleares no país. Trata-se de uma piada de mau gosto que agride os brasileiros e fere a memória das vítimas de Fukushima. Revela que, infelizmente, os governantes brasileiros não aprenderam nada com o acidente no Japão e que o Brasil, nessa questão, anda de marcha à ré.

O Brasil – um país rico em fontes alternativas limpas – não precisa da energia nuclear. O brasileiro não pode continuar sob o risco de um acidente nuclear. Nesta data o Partido Verde reafirma sua crença nas fontes de energia limpa e descarta a fonte nuclear pelo risco que representa para toda sociedade.

Bancada do Patido Verde

Brasília, 11 de março de 2013