24_raimundo_siteO coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista, deputado Sarney Filho (PV-MA), lamentou a morte de mais um ambientalista no país. Na terça-feira, 25, o conselheiro do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) na Reserva Biológica do Gurupi (MA), Raimundo Rodrigues, foi morto a tiros quando chegava em casa. Sua mulher, Maria da Conceição Chaves Lima, também foi ferida, mas sobreviveu e está internada no Hospital Municipal de Imperatriz (MA).

Raimundo se tornou conhecido na região por defender a floresta, denunciar o desmatamento e a retirada ilegal de madeira. Também tinha uma atuação firme em defesa da comunidade.  De acordo com o site O Eco, Raimundo sofria ameaças de morte por causa dessas denúncias.

O deputado lembrou que, há quatro anos, o ambientalista José Claudio e sua mulher, Maria do Espírito Santo, foram assassinados no Pará por defenderem a floresta. A emboscada ocorreu no mesmo dia em que a Câmara dos Deputados aprovava um grande retrocesso na legislação socioambiental: a flexibilização do Código Florestal de 1965, que passou a permitir mais desmatamentos nas Áreas de Proteção Ambiental (APPs) e de Reservas Legais.

O coordenador quer a punição dos responsáveis pelo crime e medidas protetivas que evitem novos atentados. “A Polícia Federal já assumiu as investigações, que esperamos sejam rápidas e conduzam à efetiva punição. É preciso, ainda, que seja dada proteção à família e aos companheiros de Raimundo que também foram ameaçados”, afirmou o deputado.

Para Sarney Filho, “é fundamental valorizar e proteger os ambientalistas, dar recursos e fortalecer os órgãos de fiscalização ambiental, aumentar as áreas protegidas e avançar na demarcação dos territórios indígenas, pois os povos tradicionais são os que mais preservam a natureza”.

Desde 2002, a ONG Global Witness acompanha casos de assassinatos de ambientalistas no mundo. O Brasil lidera este ranking. De acordo com a organização, entre 2002 e 2013 foram assassinados 448 defensores do meio ambiente no país. A ONG documentou 908 casos em 35 países.

“Se o parlamento continuar aprovando novas proposições que desrespeitam os direitos socioambientais, como a que objetiva a exploração das terras indígenas para mineração, seremos cúmplices da devastação do planeta”, alertou Sarney Filho.

Fonte: Comunicação Lid-PV

Imagem: Gabriel Aragão / Lid-PV