A requerimento do deputado Roberto de Lucena (PV-SP), a Comissão de Direitos Humanos voltou a discutir os danos causados por contaminação por chumbo no município de Santo Amaro da Purificação, na Bahia.

Durante o debate, a associações de moradores e vítimas da contaminação reivindicaram ao governo federal providências para responsabilizar os sócios da empresa Companhia Brasileira de Chumbo pelos danos à saúde dos trabalhadores e habitantes da cidade.

Durante 30 anos, a Companhia Brasileira de Chumbo foi uma das maiores produtoras do metal no mundo. A empresa fechou as portas nos anos 90, mas a falta de cuidado ao descartar os rejeitos da produção contaminou a terra e envenenou o rio Subaé, que corta a cidade. Há relatos de mortes de animais e doenças graves de ex-trabalhadores, de seus familiares e de moradores da cidade.

“Os relatos e fotos que recebi são muito tristes. São adultos com graves doenças e muitas crianças que nasceram com deformidade. Vidas foram e estão sendo ceifadas pela contaminação e a população ainda experimenta o descaso e o abandono do poder público”, enfatizou Roberto de Lucena.

Para o parlamentar, a audiência pública é da maior importância para que sejam oferecidos elementos que darão o norte a essas pessoas que representam a população contaminada do Recôncavo Baiano. Segundo estudos da Universidade Federal da Bahia, a cidade é a mais poluída do mundo pela incidência do metal.

De acordo com o procurador de Santo Amaro, Leandro de Almeida Vargas, o governo federal já tomou algumas providências, como instalar no município um centro de referência para tratamento das pessoas.

O procurador afirmou, no entanto, que é preciso reparação. Segundo ele, a empresa agiu de forma irresponsável enquanto atuou na cidade e continua a atuar no País, hoje sob outra denominação.

“A escória foi jogada de qualquer jeito. Foi jogada nos rios, nos ares. Os filtros das fábricas foram disponibilizados para as crianças brincarem, fazerem de travesseiro em casa. Então, não são os ex-trabalhadores, a população como um todo precisa de reparação, porque a grande maioria está contaminada”, disse Vargas.

Para o presidente da Associação das Vítimas de Contaminação, Adailson Pereira Moura, dinheiro algum vai poder reparar o que a população tem passado. Ele relatou a dor permanente dos contaminados, a impotência, além das crianças que já nascem gravemente comprometidas pela contaminação de suas mães, como aconteceu com sua neta.

Adailson disse que foi o sofrimento da menina que o levou a retomar a luta pela reparação das vítimas. “É difícil saber que você tem chumbo no sangue e que vai morrer. Não sei o dia, mas sei que minha hora vai chegar porque já enterrei 940 companheiros. Temos 940 viúvas em Santo Amaro”, disse Moura.

Roberto de Lucena disse que a luta da população de Santo Amaro deve ser encampada pela Comissão de Direitos Humanos. Ele afirmou que a comissão não pode permitir que o assunto caia no esquecimento.

Com informações da Agência Câmara Notícias