Pesquisadores, técnicos e representantes de instituições públicas e da sociedade civil discutiram, na tarde desta quinta-feira (17), sobre as condições atuais de ocupação e exploração do Cerrado e os critérios ecológicos para sua proteção. Avaliaram, ainda, as emissões de gases de efeito estufa (GEEs) no bioma e a criação de unidades de conservação e corredores de biodiversidade.
O debate foi parte da programação do Seminário Bioma Cerrado – Normas de Conservação e Uso Sustentável. O evento é uma parceria entre Comissão de Meio Ambiente da Câmara, WWF, Fundação SOS Mata Atlântica e Ecodata, e foi requerido pelo deputado Sarney Filho (PV-MA), coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista.
A mesa “critérios ecológicos para a proteção do Cerrado” foi composta por especialistas em ecologia e Cerrado. Vânia Pivello, professora da USP, expôs alguns dos principais problemas que ameaçam o Cerrado. Reuber Brandão, professor da UnB, caracterizou o bioma e criticou o fato de que apenas 3% de sua superfície estão protegidos por áreas de proteção e parques. José Filipe Ribeiro, pesquisador da Embrapa Cerrados, afirmou que os conservacionistas precisam entender o papel das propriedades rurais e sublinhou a necessidade de conhecer as especificidades biológicas do Cerrado para saber como conservá-lo.
“O recado que fica é que estamos perdendo o Cerrado. Nossa geração não pode fazer isso. O desafio que está colocado para os ambientalistas é buscar alternativas de desenvolvimento para a conservação”, concluiu o deputado Nilto Tatto (PT-SP), coordenador da mesa.
Estruturado de forma a promover o debate de todos os setores da sociedade, o seminário levou à mesa “situação atual do Cerrado” os palestrantes Francisco Oliveira, do Ministério do Meio Ambiente, Rodrigo Justus de Brito, da CNA, Sérgio Leitão, do Instituto Escolhas, e John Landers, dirigente de associações de plantio direto. Para Justus, o desmatamento do Cerrado está estabilizado e a recuperação de áreas degradadas é hoje economicamente inviável.
A consultora legislativa Roseli Senna Ganem, que coordenou a mesa, chamou a atenção para o PL 25/2015, do deputado Sarney Filho, que dispõe sobre a conservação e a utilização sustentável da vegetação nativa do bioma. Ela fez um apelo para que a sociedade tome conhecimento do projeto, através do portal da Câmara dos Deputados, e contribua com comentários e propostas para seu aperfeiçoamento.
Coordenador da mesa sobre emissões de GGEs no Cerrado, o senador Donizeti Nogueira (PT-TO) louvou a encíclica Laudato Si’, do Papa Francisco, e recomendou sua leitura. “Temos que amar nosso planeta como se não houvesse amanhã”, rogou o parlamentar. Danielly Godiva, do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, expôs os dados das comunicações obrigatórias do Brasil junto à Convenção-quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. Mercedes Bustamante, professora da UnB, também lembrou a encíclica papal para apontar dois dos maiores desafios da humanidade: alimentar entre 9 e 10 bilhões de pessoas até 2050 e mitigar os efeitos das mudanças climáticas. “Este cenário é um desafio para a coordenação de políticas”, disse Mercedes.
Fechando a tarde, o subsecretário do Meio Ambiente do DF, Rômulo Melo, coordenou a mesa “criação de unidades de conservação e corredores de biodiversidade no Cerrado”, recebendo para o debate Cláudio Maretti, presidente do ICMBio, Ricardo Bomfim Machado, professor da UnB e Julio Cesar Sampaio da Silva, da WWF Brasil.
Fonte: Comunicação Lid-PV
Foto: Paula Laport / Lid-PV
