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Foto: www.br.rfi.fr

Países têm até sexta-feira para chegar a um acordo global para diminuir as emissões de gases poluentes

Le Bourget/Paris – Mais de 70 cientistas vencedores do Prêmio Nobel entregaram, ontem, ao presidente francês, François Hollande, um convite a todos os países para que adotem medidas decisivas contra o aquecimento global esta semana, quando as negociações da Conferência das Partes sobre as Mudanças Climáticas (COP-21) entram em fase decisiva.

Quarenta signatários, premiados nas áreas de física, química e medicina, uniram-se para uma declaração conjunta redigida em julho, na Ilha de Mainau, Sul da Alemanha. O documento lança um alerta de que a mudança climática coloca o mundo frente a uma “ameaça de alcance comparável ao de uma bomba atômica”. “A falta de ação submeterá as futuras gerações da humanidade a um risco inadmissível”, escreveram.

Além da carta emitida pelos cientistas, um estudo divulgado ontem mostrou que as emissões de gás carbônico, principal gás causador do efeito estufa, caíram pela primeira vez durante um período de forte crescimento global da economia. A COP-21 termina sexta-feira em Paris e tem como uma das principais metas alcançar um acordo global entre as 195 nações que participam do evento. Nas palavras do secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, o acordo deve permitir afastar o fantasma de uma catástrofe planetária iminente. “A catástrofe climática nos ameaça”, advertiu Ban ao abrir ontem a fase ministerial das discussões. “O mundo espera algo mais que meias medidas”, acrescentou.

O tempo urge porque os ministros planejam fechar nesta semana as dezenas de pontos que ficaram entre colchetes no rascunho elaborado na semana passada pelas delegações nacionais. O objetivo é alcançar um acordo, aplicável a partir de 2020, para conter o aquecimento global a um máximo de 2 graus em relação à era pré-industrial.

Os países insulares e os menos avançados exigem medidas para conter o aumento das temperaturas a 1,5 grau, uma perspectiva que encontra resistência entre os grandes emissores. “Se salvarmos Tuvalu, salvamos o mundo”, declarou Enele Sosene Sopoaga, o primeiro-ministro deste arquipélago cuja existência está ameaçada por um aumento das águas do Pacífico.

Quase todos os países – 185 dos 195, que representam mais de 98% das emissões de gases de efeito estufa (GEI) causadores do aquecimento global – apresentaram planos de reduções voluntárias de emissões, mas esses esforços são claramente insuficientes porque só permitiriam limitar o aquecimento a entre 2,7 graus e 3,5 graus.

Financiamento Um dos pontos polêmicos da COP-21 e que vem se arrastando há seis anos, desde a COP-15, realizada na Dinamarca, diz respeito ao financiamento da ajuda climática dos países ricos (que teoricamente já emitiram milhares de toneladas de CO2 a mais que as nações subdesenvolvidas).Os países em desenvolvimento pressionam para que os US$ 100 bilhões anuais de ajuda à conversão à economia verde prometidos a partir de 2020 sejam apenas um ponto de partida. “Exigimos um aumento substancial da base de US$ 100 bilhões a partir de 2020”, disse em seu discurso ontem a sul-africana Nozipho Mxakato-Diseko em nome do grupo G77+China, que reúne mais de 130 países em desenvolvimento, entre eles todos os da América Latina, com exceção do México.

Fonte: O Estado de Minas

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