As abelhas, principalmente as silvestres, são responsáveis pela polinização de cerca de 70% das culturas que respondem por 90% da oferta global de alimentos
A Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados (CMADS) realiza na quinta-feira, 4, audiência pública para discutir a mortandade disseminada de abelhas pelo uso de agrotóxicos.
A mortandade de abelhas tornou-se acontecimento corriqueiro no mundo do século XXI, inclusive no Brasil. O fenômeno foi batizado de Colony Collapse Disorder (CCD) e identificado inicialmente nos Estados Unidos, no inverno em fins de 2006, quando apicultores relataram perdas de 30% a 90% de suas colmeias.
As evidências científicas recentes levaram o deputado Antônio Roberto (PV/MG) a propor o debate na CMADS “As consequência dessa mortandade disseminada podem afetar pesadamente a segurança alimentar, uma vez que as abelhas, principalmente as silvestres, são responsáveis pela polinização de cerca de 70% das culturas que respondem por 90% da oferta global de alimentos” justifica o deputado.
De acordo com a Confederação Brasileira de Apicultores (CBA), a agroindústria tem um ganho de 20% em sua produção em função da polinização natural de abelhas e aves. Em termos globais, os serviços de polinização prestados pelas abelhas, no ecossistema ou nos sistemas agrícolas, são avaliados US$ 54 bilhões/ano.
No Brasil, desde o ano passado, o Ibama e o Ministério da Agricultura estabeleceram regras para o uso de pesticidas à base de neonicotinoides. Na Europa, esses produtos estão proibidos devido aos riscos que causam ao sistema nervoso de insetos polinizadores, o que restringe a área de atuação da espécie e, assim, o rendimento de diversas culturas.
Foram convidados para a audiência pública a Drª Maria Cecília de Lima e Sá de Alencar Rocha, Pesquisadora da Universidade Federal da Bahia (UFBA); José Cunha, Presidente da Confederação Brasileira de Apicultura (CBA); Roberto Brandão Cavalcanti, Secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente; Márcio Rosa Rodrigues de Freitas, Coordenador-Geral de Avaliação e Controle de Substâncias Químicas do Ibama – e Alexandre José Cattelan, Chefe-Geral do CNPSO – Centro Nacional de Pesquisa de Soja da Embrapa.
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