xistoFrançois Hollande garantiu que, enquanto for presidente, país não explorará o recurso energético. Diversos políticos, porém, defendem extração como alternativa econômica para a transição energética

No momento em que a França, o segundo maior país gerador de energia nuclear do mundo, discute o futuro de sua matriz energética, o presidente François Hollande resolveu pôr fim a uma série de especulações envolvendo a extração de gás de xisto.

Na tradicional entrevista televisiva de 14 de julho, o Chefe de Estado garantiu que, enquanto estiver no cargo, “não haverá extração de gás de xisto na França”. Apesar da negativa enfática, o xisto ainda divide o país. Diversos políticos levantam a possibilidade de lançar sua extração por considerá- lo uma alternativa mais limpa e eficiente. O gás natural, contudo, é amplamente contestado por defensores do meio ambiente, que logo comemoraram as declarações do presidente.

– O que é o gás de xisto? Um El Dorado, que bastaria ser cavado – ironizou Hollande.

De acordo com uma pesquisa da Harris Interactive para a Fundação Europeia para o Clima feita com mil cidadãos maiores de 18 anos, e publicada em junho, menos de um terço dos franceses (30%) e menos de um quarto dos chefes de empresas (23%) acreditam que a exploração de xisto seria “compatível” com as questões ligadas à transição energética.

Impulsionado pela revolução econômica que promoveu nos Estados Unidos, o gás de xisto passou a ser visto como nova promessa na geração de energia em diversos países. A França, contudo, foi o primeiro a proibir sua extração por lei. Vazamentos de metano, contaminação da água e até terremotos já foram associados aos métodos usados na extração.

O próprio governo americano está revisando as regulamentações.

No início do mês, a ex-ministra do Meio Ambiente da França Delphine Batho disse ter perdido o cargo por apoiar a proibição à prospecção de gás de xisto.

– A batalha se cristalizou na questão do gás de xisto e, de forma mais discreta, na redução do uso de energia nuclear na França – afirmou a ex-ministra em uma entrevista na Assembleia Nacional, em Paris.

Fonte: Bolívar Torres – O Globo

Imagem: www.ambientelegal.com.br