A Frente Ambientalista reuniu-se nesta quarta-feira (30) para defender a proposta de desmatamento zero para o país. O café da manhã que abrigou o evento, na Câmara dos Deputados, contou com a participação de representantes da sociedade civil e de diversos parlamentares. O deputado Sarney Filho (PV-MA), coordenador da Frente, afirmou que conservar as florestas é hoje um investimento.
“O desmatamento, não só na Amazônia, mas no Brasil todo, deve ser zerado. Existe terra e espaço para a agricultura crescer, terra e espaço para a pecuária crescer, basta que se aprimore a tecnologia, basta que se ocupem áreas já devastadas. Nós estamos vendo com o aquecimento global, com a mudança do clima que está afetando toda a população do Brasil e do mundo, que as florestas têm um papel importante como ar condicionado do mundo e mantenedoras da produção de água”, argumentou Sarney Filho.
Márcio Astrini, coordenador de políticas públicas do Greenpeace, anunciou que nos próximos dias será apresentado um Projeto de Lei de iniciativa popular, derivado da coleta de mais de um milhão e quatrocentas mil assinaturas, coletadas ao longo de três anos, pelo desmatamento zero.
Para Astrini, o desmatamento tem que ser visto como algo inadmissível. “Temos que tratar as florestas como ativos ambientais que precisam ser preservados”, declarou. Ele comparou a campanha pelo desmatamento zero com a Fome Zero: deve-se estabelecer que não pode haver mais desmatamento e, a partir daí, construir políticas públicas que viabilizem esse objetivo.
O pesquisador sênior do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) Paulo Moutinho afirmou que “não dá para esperarmos até 2030 para acabar com o desmatamento”, fazendo referência à data estabelecida pelo governo federal para o fim do desmatamento ilegal. Ele explicou que florestas como a Amazônia necessitam de um contínuo florestal em larga escala para sustentá-las. “Desmatamento zero é o principal investimento que o país pode fazer pelo seu agronegócio”, completou.
Cléber Buzatto, secretário executivo do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), relatou que em 2014 mais do que duplicaram as invasões possessórias em terras indígenas, o que ameaça fortemente as florestas. O indigenista anunciou a presença de representantes do povo Munduruku no evento e pediu mudanças no modelo de ocupação de terras. Ele também elogiou a iniciativa do Greenpeace. ”Temos que mudar esse modelo. Que essa proposição sirva para que os setores que estão à frente do desmatamento possam refletir”, disse.
Mário Mantovani, diretor de políticas públicas da Fundação SOS Mata Atlântica, chamou a sociedade civil a participar da elaboração da proposta anunciada na terça (29), pelo deputado Sarney Filho, de aprimoramento das metas que o Brasil levará à COP 21, em Paris, através de alterações pontuais feitas na Lei de Mudanças Climáticas. O diretor destacou a importância de incluir no desmatamento zero todos os biomas.
O senador João Capiberibe (PSB-AP) prestou seu testemunho de que a região Amazônica já sofre com episódios de seca. “Se lograrmos o desmatamento zero, será um marco importante para o desenvolvimento do nosso país”, avaliou.
O presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara, deputado Átila Lira (PSB-PI), comprometeu-se a trabalhar para o convencimento do setor ruralista. “Essa questão do desmatamento tem que condicionar todas as políticas de governo do país”, pontuou.
O deputado Ricardo Tripoli (PSDB-SP) informou que há um projeto desmatamento zero de sua autoria na Câmara. O projeto está parado, aguardando a instalação de comissão especial para sua apreciação. Ele comemorou a iniciativa do Greenpeace, de trazer a proposta de fora para dentro do Parlamento.
O deputado Nilto Tatto (PT-SP) também ressaltou o valor do projeto popular. “A importância deste projeto e destas assinaturas é muito grande, porque aqui dentro nós só nos mobilizamos quando há uma pressão organizada da sociedade civil”, ponderou.
Fonte: Comunicação Lid-PV
Foto: Paula Laport / Lid-PV
