Parlamentares terão audiência com presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros, para que o Parlamento brasileiro se posicione em defesa dos 30 ativistas presos na Rússia
Em reunião realizada nesta quarta-feira (16) na Câmara dos Deputados, a Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos Humanos (FPDDH) e a Frente Parlamentar Ambientalista, com apoio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e da CNBB, deram mais um passo em direção à libertação da brasileira Ana Paula Maciel e os outros 27 ativistas e dois jornalistas presos na Rússia desde o dia 18 de setembro.
Estiveram presentes os deputados Erika Kokay (PT-DF), Chico Alencar (PSOL-RJ), Domingos Dutra (SDD-MA), Ricardo Tripoli (PSDB-SP) e Sarney Filho (PV-MA), coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista, além de assessores de outros deputados que não puderam comparecer. Um grupo de parlamentares terá uma audiência com o presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), para que o Parlamento brasileiro se posicione com relação ao caso, reforçando o pedido de libertação junto ao Parlamento russo.
“Até que a Ana Paula e os demais ativistas sejam soltos, nós nos comprometemos a fazer uma série de ações, através da Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos Humanos, para que a libertação seja garantida. Essas ações envolvem o diálogo não só com o Congresso Nacional, mas também com diversas entidades da sociedade civil. Estamos nos proximando de uma data emblemática, que completa os 30 dias de prisão dos ativistas, então esse ato é para dizer mais uma vez à sociedade e às autoridades que estamos aprisionados juntos com eles”, defendeu a deputada Erika Kokay, presidente da Frente Parlamentar.
Para o deputado Sarney Filho, “Ana Paula significa hoje a luta por um mundo diferente para as futuras gerações”. A ativista brasileira que se encontra presa na Rússia foi detida junto com outras 29 pessoas no navio Arctic Sunrise, de cuja tipulação fazia parte. A Guarda Costeira Russa invadiu ilegalmente o navio após protesto pacífico do Greenpeace realizado na plataforma da petroleira estatal russa Gazprom, no mar de Pécora. Os 28 ativistas e dois jornalistas foram levados à Murmansk, onde estão detidos e são acusados de pirataria, podendo ficar presos por até 15 anos.
Audiência de ativista brasileira é adiada
Marcada para esta quinta-feira, 17, acabou adiada a apelação de advogados do Greenpeace para que a brasileira Ana Paula Maciel possa responder à acusação de pirataria em liberdade provisória. A justificativa foi dada por problemas de tradução, e ainda não há uma nova data divulgada para a audiência. Até agora, a Justiça russa negou o pedido de liberdade provisória, sob fiança, a 15 pessoas.
Às vésperas de se completar um mês da prisão, autoridades de todo o mundo começam a cobrar das autoridades russas o fim do impasse. Ontem foi a vez de a chanceler alemã Angela Merkel se manifestar sobre o caso. Em telefonema ao presidente russo Vladimir Putin, Merkel expressou preocupação com a situação dos ativistas e pediu uma solução rápida.
As manifestações públicas de apoio também continuam crescendo: nesta quinta-feira, onze ganhadores do prêmio Nobel da Paz escreveram uma carta a Putin pedindo a liberdade do grupo. Os signatários – entre eles o bispo sul-africano Desmond Tutu e o ex-presidente da Costa Rica, Oscar Arias Sanchez – pedem que o presidente russo “faça tudo o que puder” para garantir que as acusações “exageradas” de pirataria sejam invalidadas. E que quaisquer outras acusações feitas “sejam consistentes com as leis russas e internacionais”.
“A exploração de petróleo no Ártico é uma atividade de altíssimo risco. Um eventual vazamento de óleo ali teria um impacto catastrófico em uma das regiões mais ricas, bonitas e preservadas do planeta”, escreveram. “O impacto de um vazamento sobre as comunidades que vivem no Ártico e sobre espécies de animais que já estão ameaçadas seriam devastadoras”.
A lista completa dos onze signatários da carta inclui: Desmond Tutu (África do Sul), Betty Williams (Irlanda do Norte), Oscar Arias Sanchez (Costa Rica), Jody Williams (EUA), Leymah Gbowee (Libéria), Tawakkol Karman (Iémen), Rigoberta Menchu Tum (Guatemala), Mairead Maguire (Irlanda do Norte), Shirin Ebadi (Irã), Jose Ramos Horta (Timor Leste), Adolpho Perez Esquivel (Argentina).
A campanha global pela libertação do grupo já recebeu o apoio de mais de 1,3 milhão de pessoas que escreveram para embaixadas russas.
Fonte: Assessoria de Imprensa do Greenpeace
Foto: notícias.uol.com.br
