Se agora a temperatura parece insuportavelmente quente, daqui a muito pouco tempo estará bem pior. Projeções apresentadas ontem durante o lançamento do núcleo da América Latina da Rede de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Urbanas (UCCRN), no Rio de Janeiro, indicam que o termômetro vai subir mais 1,1ºC em São Paulo, 1ºC em Curitiba e 1ºC no Rio na próxima década. Na Cidade do México, o aumento de temperatura chegará a 1,3ºC, o maior previsto pelos cientistas. Em 2080, o clima ficará dramático: Antofagasta (Chile) estará 3,9ºC mais quente; Medellin (Colômbia), até 3,7ºC; Cubatão, em São Paulo, 3,4ºC.
Os dados fazem parte do Segundo Relatório de Avaliação sobre Mudanças Climáticas nas Cidades, que será divulgado na íntegra pela UCCRN durante a 21ª Conferência das Partes (COP-21), a partir de 30 de novembro, em Paris. A prévia do documento traz informações sobre precipitação e aumento do nível do mar. “Fazemos as projeções a partir da previsão do IPCC (o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) e colocamos as cidades no mapa. Em todas as 100 cidades observadas, as temperaturas vão subir de 1ºC a 4ºC, a precipitação pode variar muito, com aumento de até 25% ou redução de até 20%, dependendo da cidade”, disse a pesquisadora norte-americana Cynthia Rosenzweig, uma das diretoras globais da UCCRN.
As projeções do aumento do nível do mar indicam que, no Rio de Janeiro, o oceano pode ficar até 14cm maior nos próximos 10 anos. Ao longo da década de 2050, ficará 41cm maior e, em 2080, até 82cm. Também haverá grande variação de chuva: em São Paulo, de -1% a +4%; em Santo Domingo (República Dominicana) de -7% a +3%; em Buenos Aires, de +1 a +8%, ao longo de 2020.
Fundada em 2007, a UCCRN reúne mais de 600 cientistas de 150 cidades. Na América Latina, a sede será o Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), na capital carioca. Pesquisadora do IOC e coordenadora do UCCRN no continente, a especialista em impactos da mudança do clima na saúde urbana Martha Barata ressalta que a expectativa é “contribuir para a qualidade de vida nas cidades, estimulando ações de mitigação e de adaptação para enfrentar as mudanças climáticas”. Ela ressalta que o clima precisa ser considerado no planejamento urbano. “Mesmo que as emissões de carbono sejam interrompidas, ainda vamos sofrer consequências do aquecimento global. Não podemos, por exemplo, continuar erguendo residências e fábricas em áreas que correm grande risco de sofrer com enchentes no futuro”, argumenta.
Fonte: Correio Braziliense
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