bioEm uma pesquisa pela internet, em 25/9, para cotar preços de passagens aéreas entre Santarém/Belém/Santarém, um susto! As passagens seriam, para uma permanência de 3 dias: incríveis R$ 3.583,49. Isso reflete um problema antigo para quem procura a Amazônia como destino turístico.

O custo da tarifa aérea para a Amazônia é um problema do tamanho da região, a mais atrasada economicamente do país. Em 2010, o Produto Interno Bruto (PIB) representou 5,3% do nacional. Ou seja, falta muito para que o Norte ganhe projeção e investimentos. Ficou para trás a criação da Zona Franca de Manaus, a área de livre-comércio de importação e exportação e de incentivos especiais. A iniciativa prestigiou o estado do Amazonas e criou diferenças descomunais com os outros estados da região. O que se imagina para a Amazônia hoje é algo que carregue o poder de agregar.

O que se enxerga no cenário é o turismo, com bases de sustentabilidade. Dessa maneira, todos os estados da região teriam chance de desenvolver, pois todos detêm a marca da floresta amazônica, que é uma das últimas grandes reservas de recursos naturais. O lema é explorar o potencial natural, gerando emprego e renda, sem destruir a floresta. E o momento não é nada animador, pois, de acordo com dados do Sistema de Alerta do Desmatamento (SAD), divulgados neste ano, foram desmatados cerca de 2.286 quilômetros quadrados de floresta da Amazônia Legal, entre os meses de agosto de 2014 e maio de 2015.

Os preços das passagens aéreas corroem os sonhos da atividade turística no contexto amazônico. A concorrência aparece em nomes conhecidos como Fortaleza (CE), Bonito (MS), Serras Gaúchas (RS) e Rio de Janeiro (RJ), por exemplo. As pesquisas dizem que o turismo interno no Brasil constitui grande mercado potencial para a Amazônia e seus destinos, pois esse setor cresceu em média 3% ao ano, no último triênio, chegando a alcançar 201 milhões de viagens nacionais em 2013.

Como se as ameaças conjunturais já não fossem poucas, entra em questão a crise econômica. Mesmo sabendo do crescimento econômico recente e da expansão da classe média, que permitiram o consumo global e o aumento das viagens no Brasil.

Num desses movimentos que o mercado promove, o governo federal anunciou uma novidade que pode acenar como uma luz no fim do túnel. A aviação receberá subsídios do governo para tarifas e passagens aéreas. A medida faz parte de um programa voltado para a aviação regional, e entra em vigor já no semestre em curso. A área de abrangência, num primeiro momento, é a Amazônia Legal.

Como o mercado não espera por ninguém, nesse processo, alguns estados e municípios podem sonhar em sair na frente: Belém e Manaus estariam entre eles. Mas esse é o caso também de Santarém, no Oeste do Pará, que faz o dever de casa há alguns anos. Há pouco concluiu o seu plano estratégico de turismo, quando foram pontuados 69 atrativos. Um município, em 2008, foi escolhido pelo Ministério do Turismo como destino-referência em ecoturismo, em um universo de 3 mil municípios que integravam o Programa de Regionalização do Turismo.

A Amazônia tem muito que mostrar. O turismo parece ser uma alternativa razoável, que se contrapõe a certos modelos considerados nada sustentáveis. É preciso que o governo, ao apostar no turismo, prestigie a cultura dos povos tradicionais e as belezas espalhadas entre todos os estados da região, em vez de dar espaço para que os índices de desmatamento continuem a nos sufocar.

Fonte: ESTADO DE MINAS – MG | OPINIÃO (Emanuel Júlio Leite/Produtor audiovisual, pós-graduando MBA em gestão empresarial (FGV), autor de Turistificando um caminho da Amazônia e Amazônia no Tapajós, uma abordagem turística (Ícone))

Foto: decolar.com