Quatro meses após a euforia da COP21, 160 países assinarão hoje, na ONU, o acordo de Paris sobre o clima, cuja aplicação implica que a economia mundial dê as costas às energias fósseis.
A cerimônia poderá ser a ocasião de consolidar a dinâmica que surgiu do acordo de Paris considera Pascal Canfin, ex-ministro francês e diretor da WWF France.
Pelo menos 60 chefes de Estado estarão em Nova York, entre eles o francês François Hollande, o secretário de Estado americano, John Kerry, e a presidente Dilma Rousseff.
A adoção do texto em Paris, que colocou fim a anos de trabalhosas negociações, não quer dizer que as partes aderem automaticamente ao acordo. Ainda são necessárias duas etapas: a assinatura (aberta até abril de 2017) e a ratificação em função das regras nacionais. Para entrar em vigor, o acordo de Paris precisa ser ratificado por 55 países que representem 55% das emissões de gases de efeito estufa.
Estamos distantes do objetivo de uma alta na temperatura mundial limitada a 2ºC. Para que exista uma possibilidade de respeitar esse limite, as ações anteriores a 2020 são importantes afirma Laurence Tubiana, a negociadora francesa.
Para aplicá-lo, os Estados devem, agora, organizar sua transição energética, que passa por uma reorientação dos investimentos resume Celia Gautier, da ONG Réseau Action Climat.
BOAS NOTÍCIAS, MAS SEM MÁGICA
As energias renováveis registraram em 2015 um crescimento recorde de 8%, os preços baixos do petróleo freiam os investimentos caros dos grupos petrolíferos e o setor do carvão não vai bem.
Na China, o consumo baixou devido à desaceleração da economia, mas também pela luta contra a poluição. Pequim anunciou a suspensão de projetos de centrais a carvão. Mas as necessidades em infraestruturas energéticas são enormes e está prevista a construção de centrais a carvão em países como Índia e Turquia.
Sabíamos que o acordo de Paris não seria uma varinha mágica que apagaria todos os projetos nefastos reconhece Celia.
Fonte: Zero Hora
