pequenas_fundospaisagensLocalizadas em áreas remotas do planeta, uma série de pequenas ilhas está se organizando para melhorar seu acesso aos mercados globais e driblar a vulnerabilidade a que são expostas por conta dos efeitos da mudança climática e outras adversidades.

A posição geográfica dificulta e até limita o acesso a produtos básicos, e elas observam com receio o aumento do nível do mar em consequência do aquecimento global. As preocupações com a segurança alimentar e a adaptação à mudança climática são o foco de uma recente reunião de ministros desses pequenos Estados insulanos em desenvolvimento, conhecidos como SIDS (Small Island Developing States – Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento), na Expo Universal 2015, que acontece até o próximo dia 31 em Milão, na Itália.

Ao todo, mais de 60 milhões de pessoas estão espalhadas em 52 países que têm em comum o tamanho reduzido, o afastamento dos grandes mercados consumidores e o alto grau de vulnerabilidade diante de desastres econômicos e naturais.

De acordo com o principal assessor para os SIDS no Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Craig Hawke, apesar de ricos em recursos naturais, muitas delas estão em risco e altamente endividados. Terremotos, erupções vulcânicas e tsunamis podem ter um efeito devastador nessas ilhas, como aconteceu em Vanuatu, no Pacífico, em março, quando o ciclone tropical Pam acendeu o alerta para uma crise de fome por conta da falta de provisões.

Agora, a mais nova cruzada do grupo é a de se adaptar à mudança climática, e seus integrantes querem que aspectos relacionados à distribuição de recursos sejam abordados na Conferência sobre Mudança Climática (COP21), que vai acontecer em Paris (França) de 30 de novembro a 11 de dezembro.

“O custo de adaptação é mais alto para a gente. Para reduzir isso, estamos lutando para que a temperatura não aumente mais do que 1,5 grau centígrado com relação aos níveis pré-industriais, e não 2 graus, o que nos obrigaria a tomar medidas mais eficazes”, ressaltou Hawke.

O conselheiro, antigo responsável pelo programa de ajuda sobre este tema na Nova Zelândia, considera que os países insulares, que representam 20% dos membros da ONU, poderiam trabalhar de forma conjunta e criar um “grupo influente” dentro da comunidade internacional.

No entanto, o nível de cooperação está ainda em um plano “muito inicial”, segundo o diretor-geral de Agricultura de São Tomé e Príncipe, Solito Cunha Lisboa, que disse estar confiante de que conseguirá recursos para reforçar os programas de adaptação já em andamento. Segundo o político, atualmente seu país enfrenta longas temporadas de chuvas fortes e secas extremas.

Como pequenas economias vulneráveis, os SIDS têm a desvantagem extra de não chegar facilmente aos mercados internacionais. Tradicionalmente eles vendem matéria-prima ao exterior e compram de fora produtos mais elaborados. Essa delicada situação faz com que, por exemplo, 80% dos alimentos consumidos pelo turista sejam importados nas ilhas do Pacífico que, por outro lado, abrigam grandes reservas de peixe.

A representante da Jamaica na Expo 2015, Patrice Laire, destacou que os SIDS devem ter “uma voz forte” nas negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC) nos assuntos que lhes afetam, como a política de subsídios à agricultura doméstica e à exportação. Outros países se manifestaram a favor do aumento da produtividade e incentivos ao comércio para não serem apenas importadores líquidos de produtos básicos. Essa dependência tem um preço nas regiões pobres, como o Caribe, que gasta mais de US$ 4 bilhões para comprar alimentos de fora, segundo dados da ONU.

Os países do Índico também sabem o que isso representa. A Comissão do Oceano Índico (IOC), que agrupa Comores, Reunião (de soberania francesa), Ilhas Mauricio, Ilhas Seychelles e Madagascar, argumenta que esses territórios – exceto o último – importam quase todos os produtos básicos, incluindo o indispensável arroz. Com o objetivo de aumentar a produção e garantir a segurança alimentar da população, a organização informou que está trabalhando em um plano regional para que Madagascar abasteça as outras ilhas de alimentos e capacite os agricultores locais com práticas como a pesca sustentável.

Fonte: Terra

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