ecodesign-famossulCresce no setor industrial a preocupação em ganhar competitividade sem aumentar os impactos ambientais. Empresários e ambientalistas buscam alternativas para isso.

Um dos desafios da indústria moderna é melhorar a competitividade sem causar mais impacto ambiental. Não por acaso, o tema vai nortear,amanhã,no Rio, o terceiro seminário da Confederação Nacional da Indústria (CNI) que busca caminhos para que o setor deixe de ser visto como o vilão do Meio Ambiente. “As empresas precisam pensar o produto de forma sustentável em toda a cadeia, de maneira que, após a sua utilização fim, possa ser reaproveitado, seja no próprio artigo ou na criação de um novo produto”, diz o especialista em Reciclagem Adriano Assi, diretor da Eco Brasil, empresa que promove a feira Exposucata, que também começa amanhã, em São Paulo. Um caminho para isso, diz ele, é o ecodesign: a criação de embalagens que possam ser reaproveitadas. Como exemplo ele cita as empresas de bebidas, que substituíram o rótulo de papel, que usava cola e impedia sua reutilização, por um plástico que gruda a partir de altas temperaturas. “Dessa maneira, elas conseguem separar o rótulo e o vidro, reutilizando os dois materiais”, afirma Assi. Entretanto, diz, as empresas ainda engatinham na questão. “A concorrência faz que elas pensem a embalagem, por exemplo, mais como um diferencial, e não como algo sustentável”. A Natura é exemplo de empresa que consegue usar o apelo da sustentabilidade como diferencial. A empresa lançará em setembro um desodorante que, apesar de aerosol, causa 48%menos impacto ambiental do que similares. Segundo o diretor de Formulação e Embalagem da Natura, Alessandro Mendes, a embalagem tem metade da volumetria de um aerossol comum (75ml x 150 ml), mas proporciona o mesmo rendimento, por utilizarem sua válvula uma tecnologia que exige menos gás propelente para o funcionamento do conjunto. A embalagem compacta tem, em média, 15% menos de alumínio quando comparada aos aerossóis do mercado. Outro exemplo bem sucedido de reciclador é o agronegócio. Acusado de causar grandes impactos ambientais, criou um sistema que reutiliza as embalagens de Agrotóxicos e defensivos agrícolas, altamente tóxicas. Por força de lei, essas embalagens precisam voltar à indústria, que fica responsável em dar uma destinação correta a elas. “Desde 2002, o Inpev (Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias) é o mandatário das fabricantes. Ou seja, é responsável em receber as embalagens vazias e encaminhar para as recicladoras parceiras, que transformam essas embalagens em resina usada na fabricação de produtos que vão de tubo para esgoto, cruzeta de poste de transmissão de energia e embalagem para óleo lubrificante até caixa de bateria automotiva, e tampas para embalagens de defensivos agrícola”, explica a gerente de Sustentabilidade do Inpev, Maria Helena Zucchi Calado. Além disso, uma única recicladora tema tecnologia exclusiva de fabricar uma nova embalagem para envase do próprio defensivo agrícola, utilizando 85% de resina reciclada. Os outros 15% são resina virgem, utilizados nas camadas mais internas—que tem contato direto com o produto — e mais externas. “No longo prazo, o sistema permite que a embalagem feche o ciclo do próprio produto”, diz Maria Helena. Com essa prática, a cadeia do agronegócio deixa de mandar ao Meio Ambiente mais de 40 mil toneladas de embalagens por ano, que até 2002 eram enterradas. Segundo Assi, da EcoBrasil, o ecodesing ainda se confunde com a logística reversa, outra prática adotada pelas indústrias. “Mas ambos têm como finalidade diminuir impactos ambientais”, diz. É isso o que faz Luarte, de Lençóis Paulista (SP),uma das empresas que recebe óleo lubrificante coletado em postos de combustíveis. Segundo a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a empresa faz o rerrefino desse óleo, usando um aditivo que dá qualidade superior à do óleo virgem. Como o Brasil não produz óleo lubrificante, está é uma forma de girar a economia e evitar que um produto que veio de fora contamine o Meio Ambiente.

“As empresas precisam pensar o produto de forma sustentável em toda a cadeia, de maneira que, após a sua utilização fim, possa ser reaproveitado no próprio produto ou na criação de um novo.”
Adriano Assi – Especialista em Reciclagem

Fonte: Brasil Econômico

Foto: www.famossul.com.br