Reportar estratégias de sustentabilidade já faz parte da rotina de 37% das empresas abertas brasileiras, indica a pesquisa “Relate ou Explique para Relatório de Sustentabilidade ou Integrado”, realizada pela BM&FBovespa para avaliar o envolvimento das companhias listadas em relação ao tema.
Essa é a fatia de quem efetivamente produz relatórios do gênero. Mas, se forem consideradas também aquelas que, embora não elaborem documentos específicos, reportam pontualmente suas iniciativas ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês), o percentual sobe para 44,6%.
A terceira atualização anual do banco de dados de relatórios de sustentabilidade, realizada até 31 de maio e divulgada hoje, mostra, no entanto, uma desaceleração no crescimento do grupo das empresas que adotam relatórios sobre o tema. Se de 2012 para 2013, esse grupo registrou um crescimento de 63,5%, neste ano o avanço ficou em apenas 3,2%.
Segundo Sonia Favaretto, diretora de imprensa e sustentabilidade da bolsa, o crescimento menor é natural. “Quando se sai da base zero que é 2012, o crescimento tende a ser maior. Acho que dificilmente vai haver um salto como no primeiro ano”, afirma. A executiva, porém, chama a atenção para resultados da pesquisa que indicam um quadro mais favorável ao engajamento das companhias em relação à sustentabilidade.
Mesmo entre as 149 empresas que ainda não elaboram relatórios de sustentabilidade, 33 dizem reportar ações de ESG, 17 alegam estar em fase de elaboração do documento e 10 indicam já terem começado um processo de estruturação para a publicação. “Divulgar ações é um primeiro passo para a produção de um relatório”, avalia Sonia. Com isso, a parcela das empresas abertas que mantêm na agenda questões relacionadas aos temas ambientais, sociais e de governança sobe para 50,8% do total de companhias listadas.
As 149 empresas que admitiram não ter elaborado relatórios de sustentabilidade neste ano representam 34% da base de 437 companhias listadas, segundo a BM&FBovespa. Se forem descontadas aquelas que fazem divulgações pontuais ou estão em processo de estruturação ou de elaboração do documento, o percentual cai para 20,4%. Outras 129 companhias, ou 28,8% da base, não responderam à pesquisa.
Neste ano, o levantamento trouxe uma radiografia das explicações, ou seja, os motivos pelos quais as empresas listadas brasileiras ainda não publicam esse tipo de informação. Das 149 empresas desse grupo, 27 responderam não ver necessidade ou que o assunto não tem prioridade; 23 ainda estudam a possibilidade; 17 não apresentaram nenhuma justificativa; 12 apontam a natureza da operação ou o momento da companhia como motivo para não fazer o relatório; 9 indicam um entendimento errôneo sobre o documento; e uma alega já estar contemplada no relatório da holding.
A atualização deste ano mostra ainda que, segundo a bolsa, três empresas brasileiras – Itaú Unibanco, Fibria e Natura – tomaram a dianteira e começaram a publicar o chamado relato integrado, ou seja, um único balanço que combine as informações financeiras e não financeiras. A apresentação das informações segue diretivas desenvolvidas pelo International Integrated Reporting Council (IIRC), um organismo internacional criado para estabelecer metodologia e modelos aos documentos do gênero. “Apesar de haver até o momento apenas três iniciativas baseadas no ‘framework’ proposto pelo IIRC, já detectamos muitas outras empresas atentas ao tema”, ressalta Sonia.
A diretora de sustentabilidade da bolsa vê o relato integrado como uma “profunda mudança de modelo de negócios e de sociedade”. De acordo com Sonia, esse tipo de documento é a consequência de uma empresa verdadeiramente integrada, em que “os conceitos de sustentabilidade fazem parte de seus processos e estratégias, ou seja, do seu DNA”, um processo que pode levar anos e até mais de uma década para uma organização que sai do zero.
Conforme a executiva, a partir desta terceira atualização do banco de dados, a BM&FBovespa passará a usar a sigla EESG (Economic, Enviromental, Social and Governance), e agregar a dimensão econômico-financeira ao tradicional conceito ESG. “A integração de informações financeiras e não financeiras é fundamental para a adoção de um novo modelo de negócios e sociedade que tenha como premissa um desenvolvimento de fato sustentável”, afirma.
Fonte: Valor Econômico
