Um ano em que o desmatamento subiu e as emissões de carbono bateram o recorde, não pode ser chamado de sustentável. Mas vamos aproveitar o espírito natalino para falar das boas novas de 2013
Apesar do consumismo que cerca a época, o período de Natal e Ano Novo acaba sempre sendo um bom momento para pensar no próximo. Lembrar, por exemplo, que 800 milhões de pessoas ainda continuam passando fome no mundo. Mas também há o que comemorar nessa área. Uma das melhores notícias do ano, dada pelas Nações Unidas, foi a de que o Brasil reduziu em 53% o número de famintos.
Com isso, o país atingiu com quase três anos de antecedência, um dos principais Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.
É verdade que ainda temos 13 milhões de brasileiros nesta triste situação, mas foi um bom avanço. Outro setor que mereceu destaque foi o da energia eólica.
Superamos a marca de 3 GW de potência instalada, com 140 usinas em funcionamento. A previsão agora é chegar a 8 GW, em 2015, e 17 GW, em 2022. Se der certo, a energia limpa dos ventos representará 10% da matriz energética nacional.
Do campo vieram três boas novas. A primeira foi o Programa ABC (Agricultura de Baixo Carbono), que recebeu R$ 2,7 bilhões em investimentos. A segunda confirma a primeira. As emissões do setor agrícola crescem, mas bem menos do que aumento da produção.
Por fim, o pacto entre o Ministério Público Federal e os supermercados para rastrear a origem da carne e evitar o consumo de produtos ligados ao desmatamento e ao trabalho escravo ganhou escala e chegou a ser premiado.
No capítulo das emissões de gases de efeito estufa, o Brasil confirmou a queda de cerca de 30% nos seus lançamentos de CO2 entre 2005 e 2010. Uma versão parcial do inventário brasileiro foi divulgada este ano e indica que o país deve bater a meta de redução de 36,1% até 2020. A tendência, no entanto, é de crescimento na próxima década, puxado fortemente pelo setor de energia.
Mas não dá para fazer um balanço do ano sem falar do Lixo Zero, lançado no Rio e que reduziu em quase 50% a sujeira jogada nas ruas da cidade. No entanto, a grande notícia de 2013 foi a volta da esperança, representada pelos jovens nas ruas e pela vinda do Papa. A fé na solidariedade e na mobilização sem violência.
Na crença de que ainda é possível construir um mundo bem mais sustentável. Feliz Natal.
520 t É o volume de lixo reciclável que a Comlurb vai separar e comercializar, mensalmente, na central de triagem que será inaugurada em Irajá. O número equivale à preservação de mais de seis mil árvores e evita a emissão de quase quatro mil toneladas de carbono. Hoje, pouco mais de 1% do lixo da cidade é reciclado e o compromisso da prefeitura é ampliar esse índice para 25% até 2016.
LÂMPADA MUITO DURÁVEL
Será lançada em janeiro uma nova lâmpada LED que pode durar até 22 anos. Desenvolvida pela Phillips, a SlimStyle tem um design diferente. Em vez de ser oval, é achatada. Apesar do formato peculiar, ela se encaixa perfeitamente no soquete padrão. A iluminação equivale a de uma lâmpada de 60W.
Certamente será mais cara, não se sabe quanto. Mas vai dar para contar nos dedos as trocas de lâmpadas que será preciso fazer ao longo da vida.
CLÍNICA DE POLUIÇÃO
Um dia isso ia acabar acontecendo. Acaba de ser inaugurada a primeira clínica especializada em doentes que sofrem com a poluição atmosférica. O hospital foi aberto na província de Chengdu, na China, e já atendeu mais de 200 pacientes em 15 dias. Na entrada, um cartaz e um incentivo: “Não tema a poluição. Ela tem cura”. Tomara.
PARAÍSO NACIONAL VAI SER CARBONO ZERO
O arquipélago de Fernando de Noronha já é conhecido pela limpeza das praias e pelas belezas naturais. Agora, ele poderá ser identificado também pelas ações para combater o Aquecimento Global. O governo de Pernambuco anunciou que, no prazo de cinco anos, todas as emissões de gases de efeito estufa de Noronha serão compensadas. O projeto, que contará com o apoio da iniciativa privada, envolve o plantio de novas árvores, a adoção de veículos elétricos e o uso intensivo de energias renováveis. Esse, aliás, é um dos maiores problemas. As ilhas são movidas à energia suja, principalmente o diesel.
Água sem garrafa
A cidade de São Francisco, nos Estados Unidos, resolveu tomar uma medida drástica para reduzir o uso de embalagens plásticas. Será proibida, gradativamente, a venda de água em garrafas de plástico com até 600 gramas de peso.
Além de tentar reduzir o volume de lixo, as autoridades locais argumentam que São Francisco possui uma das melhores águas de torneira do país, o que torna desnecessário o uso de produtos engarrafados. A proibição começará pelos concertos, grandes eventos, alguns restaurantes e parques e alcançará toda a cidade até o final de 2016. Desde 2007 as leis municipais já proíbem o uso de dinheiro público para comprar água engarrafada.
Novas leis contra as mudanças climáticas
Pelo menos 15 estados brasileiros já aprovaram leis que criam instrumentos para enfrentar as mudanças climáticas. O levantamento, feito pelo Fórum Clima e pelo Instituto Ethos, destaca as ações no Amazonas, no Acre e no Mato Grosso. Os três criaram sistemas que remuneram os produtores pelo trabalho de preservação da natureza, conhecido como PSA (Pagamentos por Serviços Ambientais). Já São Paulo, Rio e Paraíba são lembrados pelas metas de redução das emissões de gases de efeito estufa.
Fechando o buraco
Cientistas da NASA anunciaram, no final semana passada, que o famoso buraco na camada de ozônio deverá estar totalmente fechado até 2070. Ele foi identificado no inicio dos anos 80 e causou preocupação porque podia aumentar a incidência de câncer de pele. Em 1987, 197 países assinaram o histórico Protocolo de Montreal, se comprometendo a acabar com o uso dos gases CFCs, principais causadores do problema. Eles eram muito utilizados na fabricação de refrigeradores. Desde então, a composição química, o tamanho e a profundidade do buraco ou buracos vem mudando. Esse é um ótimo exemplo para os negociadores dos acordos climáticos.
Fonte: ECONOMIA VERDE – AGOSTINHO VIEIRA / O Globo
Foto: eco4u.com
