2013 já é o sétimo ano mais quente desde início de registros históricos
Renato Grandelle / Conferência do clima
Primeiro veio o tufão Haiyan. Agora, um novo relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM) promete sacudir a Conferência do Clima de Varsóvia (COP-19). Segundo a instituição, 2013 já é o sétimo ano mais quente desde o início das medições meteorológicas, em 1850. Entre janeiro e setembro, a temperatura foi 0,48 grau Celsius mais alta do que a média registrada entre 1961 e 1990. Especialistas esperam que o dado sensibilize, enfim, os participantes da reunião, que parece, mais uma vez, caminhar para a falta de acordo.
Segundo um estudo publicado em março, o aumento do nível do mar chegou à média de 3,2 milímetros por ano – o dobro do índice registrado no século passado. Dois meses depois, pesquisadores registraram pela primeira vez a taxa de 400 partes por milhão (ppm) de dióxido de carbono (CO2) no ar. A partir daí, seria inevitável que a temperatura global aumente pelo menos 2 graus Celsius.
Embora ciclones tropicais como o Haiyan não possam ser diretamente atribuídos às mudanças climáticas, o aumento do nível do mar torna a população costeira mais vulnerável a tempestades , ressaltou o secretário-geral da OMM, Michel Jarraud, em comunicado. Vimos estas consequências trágicas nas Filipinas .
O Brasil será um dos países mais afetados pelo Aquecimento Global. Até o fim do século, a temperatura pode aumentar até 6 graus Celsius – um a mais do que no resto do mundo. O período de seca aumentará na Amazônia e no Nordeste. Na Região Sudeste, as tempestades serão mais comuns.
Lacuna entre acordos
Para evitar a tragédia, o governo comprometeu-se, em 2009, a reduzir as emissões de gases-estufa em 38,9% até 2020. Trata-se de um compromisso voluntário, e não de uma meta formal. Por enquanto, apenas um tratado, o Protocolo de Kioto, estipula metas obrigatórias para diminuir a liberação de CO2 para a atmosfera. No entanto, alguns dos países que mais emitem gases-estufa, como EUA, Canadá, China, Índia e Brasil, não assinaram o protocolo, ou não tiveram um limite determinado para as emissões de CO2.
– A conferência de Varsóvia discute um novo protocolo, que será assinado em 2015 e valerá a partir de 2020. O nosso medo é o que ocorrerá neste período de transição – revela André Nahur, coordenador interino de Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil. – Não podemos perder o controle das emissões. Queremos que os países assumam metas domésticas o quanto antes, assim como fez o Brasil.
Falta de prestígio da conferência
Os governantes, porém, não devem dar as caras em Varsóvia. Segundo a ONU, 189 países participam da conferência, mas apenas 134 mandarão ministros – autoridades com poder para negociação – para a fase decisiva da reunião, na semana que vem. Este seria um sinal da pouca importância dedicada à COP. A delegação brasileira será comandada pelos ministros Izabella Teixeira (Meio Ambiente) e Luiz Alberto Figueiredo (Relações Exteriores).
– Não queremos abordar novos temas nesta conferência – antecipa Carlos Augusto Klink, secretário de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente. – Esta é a hora de fechar mecanismos, para que, daqui a dois anos, cada país tenha um limite para suas emissões de gases-estufa.
De acordo com Klink, o país ainda lidera o G77, o grupo de países em desenvolvimento.
– O Brasil é o único país que monitora constantemente o desmatamento há mais de 15 anos – lembra. – Já fazemos uma série de esforços domésticos e temos programas para assegurar um desenvolvimento econômico sustentável. Outras nações do bloco, como a China, também estão preocupadas em reduzir suas emissões e trabalham em diversas frentes para atingir a eficiência energética.
Nahur, no entanto, destaca outras iniciativas que poderiam ser adotadas pelo Brasil.
– Precisamos evitar a expansão de monoculturas, como o óleo de palma na Amazônia, que reduzem a capacidade de recuperação do solo – assinala. – As fronteiras agrícolas não podem invadir a cobertura florestal, porque esta vegetação é responsável por capturar carbono e, assim, diminuir a emissão de gases-estufa para a atmosfera.
O crescimento caótico das metrópoles também preocupa o ambientalista:
– É importante monitorar o planejamento urbano, porque o ritmo de urbanização é muito acelerado e gera grandes resíduos, como os lixões.
Fonte: O Globo
Imagem: diariodigital.sapo.pt
