Está marcada para esta terça-feira, 27, na Câmara dos Deputados, a instalação da Frente Parlamentar da Luta Contra a Endometriose. Presidida pelo deputado Roberto de Lucena (PV-SP), a frente quer trazer para o Congresso Nacional o debate sobre a falta de políticas públicas de saúde para o tratamento da doença.
De acordo com o deputado, que realizou uma audiência pública para discutir a endometriose, em junho passado, o trabalho da Frente é mais uma iniciativa para gerar a conscientização sobre o impacto da endometriose na sociedade como um todo. “Nosso objetivo será promover alianças estratégicas entre pacientes, médicos, cientistas e legisladores para que, juntos, possamos encontrar uma maneira justa de oferecer um diagnóstico e um tratamento digno e adequado às brasileiras”, explica.
Endometriose é uma doença que acomete as mulheres em idade reprodutiva e que consiste na presença de endométrio em locais fora do útero. Endométrio é a camada interna do útero que é renovada mensalmente pela menstruação. Os principais sintomas da endometriose são dor e infertilidade. Aproximadamente 20% das mulheres tem apenas dor, 60% tem dor e infertilidade e 20% apenas infertilidade.
Roberto de Lucena enfatiza que uma das principais metas da Frente será fazer com que o sistema único de Saúde ofereça tratamento digno às portadoras da doença. “Hoje, temos informações de que o SUS não está preparado para diagnosticar rapidamente e atender a portadora de endometriose”, lamenta.
Seminário
No próximo dia 27, além do lançamento da Frente Parlamentar da Luta Contra a Endometriose, haverá também o seminário “O que é a Endometriose”, que será coordenado pela deputada Sandra Rosado. Na medicina, a endometriose é definida como a presença, fora do útero, de tecido semelhante ao endométrio, causando uma reação crônica e inflamatória e está associada à dor, subfertilidade e qualidade de vida prejudicada. Essa condição é encontrada, principalmente, em mulheres em idade reprodutiva, de todos os grupos étnicos e sociais.
A endometriose é responsável por 40% dos casos de infertilidade no Brasil, mas apenas um terço das brasileiras associa a doença à dificuldade de engravidar, segundo pesquisa da Sociedade Brasileira de Endometriose e Ginecologia Minimamente Invasiva (SBE). O levantamento, feito com cinco mil mulheres com mais de 18 anos, no país, revelou ainda que 88% não sabem como tratar o problema e que 55% não sabem sequer o que é a doença.
Para debater, durante o seminário, as características clínicas, como sintomas, diagnósticos e o tratamento da doença; os aspectos sociais e econômicos da endometriose, bem como a formação do médico cirurgião, estão confirmadas as presenças do presidente da Sociedade Brasileira de Endometriose e Ginecologia Minimamente Invasiva (SBE), Professor/Doutor Maurício S. Abrão; do Supervisor do Programa de Residência Médica em Reprodução Humana do Hospital Regional da Asa Sul do Distrito Federal, Professor/Doutor Frederico José Silva Corrêa; do Doutor em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo; Doutor Alysson Zanatta; e do Diretor do Núcleo de Endoscopia Ginecológica e Endometriose do Centro de Referência da Saúde da Mulher – Hospital Pérola Byington (SP), Doutor Luciano Gibran.
